Mostra inédita traz 120 peças de Duchamp no MAM

SÃO PAULO - Duchamp, o artista que questionou as instituições artísticas expondo um urinol como obra de arte e que colocou em xeque a oposição entre obra original e cópia pintando bigodinhos na Mona Lisa, está com a maior exposição individual já feita na América do Sul, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com cerca de 120 peças.

Bruno Rico, do Último Segundo |

O artista franco-americano, além do bom-humor característico das suas obras mais conhecidas, trabalhou experimentalmente com fotografia, desenho, artes plásticas e película. Obras com todos estes materiais estão na exposição Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra de arte, na Grande Sala do MAM de São Paulo, a partir desta terça-feira, às 20h. A curadoria é de Elena Filipovic, co-curadora da Bienal de Berlim e especializada na obra do artista.

Duchamp ficou conhecido por colocar em xeque o papel dos museus e galerias, bem como o próprio conceito de arte. O artista, que flertou com o futurismo, o cubismo, o surrealismo e o dadaísmo, fez a crítica dos conceitos de original e cópia em sua própria produção. Nos anos 50 e 60, fez cópias de seus ready-mades (objetos industriais expostos como obras de arte). Dentre estas, estão as novas séries de Fountain (a obra feita com o urinol), Porta-garrafas, Pente e Roda de bicicleta.

Uma mostra com Duchamp, porém, poderia ter acontecido há 60 anos no MAM. O artista quase foi o primeiro curador, embora o termo ainda não existisse, da primeira exposição do museu. Em 1948, enviou um projeto escrito de próprio punho a Ciccillo Matarazzo, fundador do museu, mas o projeto não foi posto em prática. O documento está na exposição principal.

A mostra também coincide com os 40 anos da morte do artista. Marcel Duchamp morreu em 2 de outubro de 1968.


"Duchamp-me"

"Uma Vista", 2002, de Cássio Vasconcelos / Divulgação

Há, também, uma segunda exposição na sala Paulo Figueiredo com obras de artistas brasileiros que dialogam com alguns conceitos artísticos de Duchamp.  Serão apresentados trabalhos relacionados às experiências óticas do artista que rompiam com o padrão renascentista.

O curador Felipe Chaimovich entende que, entre outras coisas, a relevância de Duchamp está na habilidade que teve em criar um mito em torno de si. Duchamp criou uma espécie de mitologia pessoal em torno de questões recorrentes em sua obra e construiu um nexo na própria produção.

Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra de arte e Duchamp-me  

Abertura: 15 de julho de 2008 (terça-feira), a partir das 20h
Visitação: de 16 de julho a 21 de setembro de 2008
Local: MAM-SP
Endereço: Parque do Ibirapuera ¿ Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3
Telefone: (11) 5085-1300
Horários: Terça a domingo e feriados, das 10h às 18h
Ingresso: R$ 5,50
Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia.
Site: www.mam.org.br

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