Mostra em SP reúne 65 anos da trajetória de Flavio-Shiró

A exposição Flavio-Shiró, Pintor de Três Mundos: 65 Anos de Trajetória, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, mostra a trajetória do artista nascido no Japão. Com cerca de 250 obras é uma oportunidade rara de se ver todo o percurso de criação de um artista.

Agência Estado |

Segundo o curador Paulo Herkenhoff, foram mais de dois anos de realização dessa exposição e nela vão se percebendo, intrínsecos nas obras, os três mundos ou elementos que fundaram sua arte: a chegada ao Brasil, suas visões na Amazônia - os traços fortes inspirados nos cipós e raízes - e a fusão de tudo em sua vivência na França.

Na primeira sala da exposição, Flavio-Shiró, prestes a fazer 80 anos (no próximo dia 27), afirma que 90% daquelas obras nunca foram expostas antes. "Aqui é meu recanto da memória", brinca Shiró, que se divide, desde a década de 1950, entre o Rio de Janeiro e Paris. Naquele espaço de sua mostra está a primeira pintura que o artista realizou, 'Praça da Sé Vista da Rua Fagundes', de 1942 - feita depois de ganhar uma caixa de tintas do amigo Higaki. Mas há também um conjunto expressivo de paisagens e retratos, datados das décadas de 1940 e 50 e realizados em São Paulo e no Rio, fotografias e desenhos que tratam de seus antepassados e de suas passagens pelo mundo.

Nascido em Sapporo, em 1928, Shiró chegou ao Brasil em 1932. Primeiro, instalou-se com sua família numa colônia japonesa em Tomé-Açu, no Pará, depois, mudou-se para São Paulo. Como ele diz e como vemos nas obras da primeira sala de sua mostra, sua visão não era apenas a de um imigrante, mas de alguém já interessado em trilhar caminhos mais ousados com sua pintura. Dessa maneira, a tela 'Paisagem Imaginária' (1946), feita em São Paulo, já carrega traços fortes e gestuais, assim como o quadro 'A Noite' (1950), criado no Rio e representando a Lua por detrás de um andaime, já revela a busca do abstracionismo do qual "a gente tinha pouca idéia na época", afirma o artista. "O tema por vezes é diluído, por outras, aparece. É da natureza da arte não ser definido, o sentido da aventura que é necessário", diz Shiró, que depois ficou marcado pelas pinturas da década de 1960 em que a figuração se fundia à força do gesto e da matéria.

Fábio Miguez - Ao mesmo tempo, o Instituto Tomie Ohtake exibe a mostra 'Fábio Miguez - Temas e Variações', com pinturas sobre tela e papel e objetos criados pelo pintor. Miguez, artista que participou do grupo da Casa 7 nos anos 80, propõe um jogo incessante para o olhar em que as formas ficam em aberto - e é um exercício interessante para o espectador juntar o terreno virtual da pintura com a possibilidade concreta do objeto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Flavio-Shiró: 65 Anos de Trajetória . Até 12/10. Fábio Miguez - Temas e Variações . Até 28/9. Instituto Tomie Ohtake. Avenida Faria Lima, 201 (entrada pela R. Coropés), em São Paulo. Tel. (011) 2245-1900. 3.ª a dom., das 11 h às 20 h. Grátis.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG