Mosquito transgênico pode ser arma para conter dengue

A engenharia genética produziu mosquitos Aedes Aegypti capazes de suprimir populações naturais do transmissor da dengue. Os insetos transgênicos carregam um gene que impede as fêmeas de voar quando atingem a idade adulta.

Agência Estado |

Elas têm dificuldade para sair da água, não conseguem se reproduzir e se alimentar de sangue. Assim, morrem sem deixar descendentes ou transmitir a doença. A invenção mereceu um artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e é considerada arma promissora contra uma doença que atinge, ao menos, 50 milhões de pessoas por ano.

Os machos podem voar normalmente. O que não acarreta problema, pois eles se alimentam apenas de néctar e sucos vegetais. São incapazes de transmitir o vírus. Além disso, ao chegar à fase adulta, os machos transgênicos cruzam com as fêmeas presentes no ambiente e conferem à sua descendência o gene que impede as fêmeas de voar, diminuindo a população dos mosquitos.

A ideia não é nova, explica Osvaldo Marinotti, cientista brasileiro da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), que assina o artigo. Algo semelhante já é usado contra insetos na agricultura há muito tempo.

Normalmente, as pragas são esterilizadas com o uso de radioatividade e, depois, liberadas na plantação. No artigo da PNAS, os pesquisadores substituíram a irradiação por engenharia genética, técnica mais barata e que não diminui o desempenho reprodutivo dos mosquitos.

A estratégia possui também vantagens ecológicas, pois diminui o uso de inseticidas que costumam afetar outras espécies e prejudicam o ambiente. A empresa britânica Oxitec e a Universidade Oxford detêm patentes sobre a técnica dos mosquitos transgênicos. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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