RIO DE JANEIRO ( Reuters) - A frente fria que chegou ao Rio de Janeiro no começo da semana trazendo fortes chuvas que provocaram ao menos 186 mortes no Estado causou uma ressaca no litoral da capital, nesta sexta-feira, que fechou ruas no centro e na zona sul da cidade. Em Niterói, cidade mais castigada pelas chuvas, o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil trabalham desde a noite de quarta-feira no Morro do Bumba em Niterói, na busca pelas vítimas de um deslizamento que soterrou dezenas de casas numa área construída sobre um lixão.

Até agora 18 corpos foram retirados do local e os trabalhos devem durar de duas a três semanas, de acordo com as autoridades. Em Niterói já morreram 108 pessoas por conta do temporal desta semana.

O prefeito Jorge Roberto da Silveira (PDT) decretou estado de calamidade pública na cidade. De acordo com as equipes de resgate, até 200 pessoas poderiam estar soterradas após o deslizamento que derrubou casas, comércios, creche e igreja no morro.

O governo dos Estados Unidos informou nesta sexta que vai enviar uma ajuda de 50 mil dólares às mais de 50 mil pessoas que ficaram desabrigadas ou desalojadas com a tragédia para a compra de kits higiênicos.

"Queremos expressar nossas condolências e oferecer nosso apoio ao povo do Rio de Janeiro durante esse período de dificuldade e mostrar nosso respeito pela força e pela perseverança do espírito fluminense na figura dos socorristas envolvidos no resgate daqueles afetados por essa tragédia", disse o embaixador Thomas Shannon em nota.

No litoral da capital fluminense, as ondas de até quatro metros de altura interditaram uma das vias da Avenida Atlântica, em Copacabana, que foi tomada pela areia e pela água do mar. A ressaca também provocou a interdição de uma faixa do Aterro do Flamengo, via expressa que faz a ligação entre a zona sul e o centro da cidade.

O mar da Baía de Guanabara também ficou bastante agitado e a água invadiu parte da cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, prejudicando parcialmente as operações no local. A travessia de barcas e catamarãs entre Rio de Janeiro e Niterói também foi afetada pelo mar agitado.

SURFE

Dezenas de surfistas aproveitaram as condições atípicas do mar de Copacabana para se aventurar nas ondas. "A onda tem característica como se fosse oceânica. É preciso até uma prancha maior para poder surfar", disse à Reuters TV o surfista amador Marco Aurélio Souza, de 38 anos.

A previsão do tempo indica que a maré ainda deve subir mais, após a passagem de ciclone extratropical perto do litoral do Rio. "Hoje é o dia dos surfistas, até porque a população sabe que o mar está perigoso e não vai se arriscar", disse um salva-vidas na praia.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), autorizou a remoção compulsória de moradores de 158 locais que estariam em situação de emergência na cidade.

Nesta semana, Paes já havia anunciado que a prefeitura iria remover de 1.500 a 2.000 famílias da Rocinha e do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A remoção, segundo o prefeito, será feita com ou sem o consentimento dos moradores.

(Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier; com reportagem da Reuters TV)

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