Mortos em naufrágio podem passar de 50, diz prefeito de Manacapuru

O prefeito de Manacapuru (AM), Washington Régis, afirmou nesta terça-feira que o número de mortos no naufrágio do barco Comandante Sales 2008 pode passar de 50. O número de corpos resgatados subiu para 34, com o resgate de mais 4 corpos pela manhã e outros 13 na tarde (6 mulheres, 10 homens e 1 menino) desta terça.

Redação com Agência Estado |

AE
De acordo com Régis, após o cruzamento de dados colhidos pelo serviço social da prefeitura com informações da Polícia Civil, chegou-se à conclusão que ainda há pelo menos 20 desaparecidos.

Dos corpos achados nesta terça, dois foram encontrados flutuando no encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, a pelo menos 30 quilômetros do local do acidente. As equipes de resgate trabalham num raio de 60 quilômetros à procura de outras vítimas.

"Os corpos estão começando a boiar" , afirmou o prefeito de Manacapuru, cidade onde residiam todas as vítimas do naufrágio. Nesta terça, 17 vítimas foram enterradas no município. O barco Comandante Sales 2008 naufragou no domingo, no Rio Solimões, interior do Amazonas. A embarcação transportava participantes de uma festa tradicional realizada a uma hora e 20 minutos de barco de Manacapuru.

Promotores do Ministério Público Estadual (MPE) do Amazonas anunciaram que acompanharão as investigações das causas. A apuração é conduzida pela Capitania dos Portos e pela 1ª Delegacia Regional de Manacapuru. Um dos representantes da comissão, promotor Agnaldo Concy, lamentou a falta de dados precisos sobre o número de passageiros do barco. "Até o momento, o único número que dispomos é o de vítimas registradas pelo IML (Instituto Médico Legal)."

Concy disse que os dados "são importantíssimos" para ajudar as famílias das vítimas a requererem indenização dos proprietários do barco. Um deles, Francisco Sales, morreu no acidente. Segundo o MPE, os bens de Sales podem ser bloqueados pela Justiça e repassados às famílias. Estima-se que 80 a 100 pessoas estivessem na embarcação.

Lula

Em visita oficial a Manaus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse solidário às vítimas do naufrágio e pediu que passageiros de embarcações exijam segurança.

Para Lula, o acidente foi fruto de "irresponsabilidade". "Quando um cidadão ganancioso pensa em ganhar dinheiro alugando um barco, colocando mais gente do que deveria colocar, sem a segurança ideal, esse cidadão está cometendo um crime contra o povo que alugou o barco", disse. "Quero desejar às famílias os pêsames e a minha solidariedade total, mas é preciso que cada um de nos ajude a fiscalizar."

Ele admitiu ter viajado em barco que tinha "caixa d'água com peixe, bode, cavalo, com um palmo de água pra entrar". "Tinha tudo dentro do barco", afirmou, dizendo ter feito um "ato impensado" ao viajar em embarcação sem segurança adequada. Lula reconheceu que os governos estadual e federal precisam cumprir melhor a tarefa de fiscalizar as embarcações inseguras.

O acidente

O acidente com o barco Comandante Sales ocorreu por volta de 5h30 da manhã de domingo. Os passageiros da embarcação retornavam de uma festa realizada na comunidade "Pesqueiro", em frente à cidade de Manacapuru, do outro lado do rio Solimões.

O Corpo de Bombeiros informou ainda que 15 mergulhadores e mais 40 homens da corporação participaram do primeiro dia da operação de resgate das vítimas. Pelas condições do rio, o trabalho pode durar mais dois dias, de acordo com o sargento Marimar.

'O rio é largo e turvo, o que dificulta as operações, que podem se estender por mais dois ou três dias pelo menos', disse.


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"O barco estava vindo de uma comunidade do interior com destino a Manacapuru. Em certas épocas, eles vão ao interior para as festas, e na hora de voltar se amontoam todos em qualquer barco que aparece, que costumam não registrar as pessoas que entram", afirmou à Reuters por telefone o sargento Marimar.

Esse é o segundo naufrágio em rios amazônicos neste ano. Em fevereiro, a embarcação Almirante Monteiro  afundou após o choque com a balsa Carlos Eduardo, que transportava combustíveis e se deslocava para o município de Itacoatiara, a cerca de 170 quilômetros de Manaus.

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