Mortos chegam a 72 em SC; governo avalia liberar recursos via MP

Por Pedro Fonseca RIO DE JANEIRO (Reuters) - As operações de resgate e ajuda a milhares de vítimas das fortes chuvas que deixaram ao menos 72 mortos em Santa Catarina foram intensificadas nesta terça-feira, enquanto o governo federal estuda uma medida provisória para liberar recursos destinados à recuperação da região.

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Cinco municípios declararam estado de calamidade, e outros oito continuam inacessíveis desde o fim de semana, com diversas estradas bloqueadas por enchentes e queda de barrancos. Cerca de 30 pessoas ainda estão desaparecidas, o que pode elevar o número de mortos a mais de 100, de acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina.

Com mais de 50 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, as autoridades locais tentam se mobilizar para conseguir ajuda e dar seguimento ao resgate e amparo à população.

O governo federal avalia uma medida provisória para liberar recursos, mas o valor ainda não foi definido. "Depende muito da demanda, isso (valor) será definido nas próximas 48 ou 72 horas", disse à Reuters por telefone o secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, que desde domingo está em Santa Catarina à frente das operações de resgate.

Segundo o secretário, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, sobrevoou regiões atingidas nesta terça-feira e solicitou um vídeo com as imagens. A pedido do ministro, o presidente Lula deve apresentar ao Congresso a medida provisória nos próximos dias.

"Nós tivemos um tsunami de barro, lama, árvores... Veio tudo abaixo, tudo", disse a costureira Josiane Malmann, que foi resgatada por helicópteros num grupo de 200 pessoas que estava sem ter como sair do município de Ilhota, onde morreram 15 pessoas.

Mais de 500 homens do Exército, com auxílio de veículos anfíbios, foram enviados para prestar socorro aos moradores de Blumenau, onde 13 pessoas morreram soterradas, e o prefeito João Paulo Kleinubing declarou no fim de semana estado de calamidade pública. Imagens de TV mostraram ruas da cidade tomadas pela lama, apesar de a chuva ter dado uma trégua.

Em Ilhota, a 111 quilômetros ao norte da capital Florianópolis e onde 15 pessoas morreram desde o fim de semana, o maior número no Estado, pessoas isoladas pelas águas acenavam pedindo ajuda, segundo imagens de TV.

Um grupo de salvamento da Força Área montou uma base na cidade de Navegantes, e governos de outros Estados enviaram helicópteros para ajudar no resgate de pessoas ilhadas.

"Em Ilhota e Itajaí, efetivamente, eles estão com muita água. O município de Itajaí está em torno de 80 por cento submerso", afirmou o secretário de Defesa Civil, que tem realizado sobrevôos diários sobre as áreas mais atingidas. O Estado vem sendo castigado por chuvas constantes há mais de três meses.

AJUDA

Mais de 22 mil pessoas estão em abrigos montados em ginásios, escolas e igrejas, parte da população está sem acesso a água e energia. A Defesa Civil de Santa Catarina pediu a doação de água potável como prioridade, enquanto o governo federal disse ter entregue 286 toneladas de comida para os desabrigados.

O abastecimento de gás em municípios da região e no Rio Grande do Sul também foi afetado com o rompimento de um duto. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) informou em comunicado, nesta terça-feira, que as obras de reparação no trecho do gasoduto rompido pela chuva vão levar 21 dias e que será colocado em prática um plano de contingência para o fornecimento a residências, hospitais e comércio durante o reparo.

Segundo o secretário, a prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é conseguir abrigo, alimento e medicação para a população atingida pelas enchentes e deslizamentos.

"A primeira preocupação é com a integridade física, com a vida. A recomendação do presidente Lula é abrigar, medicar e alimentar as pessoas atingidas", disse o secretário, vinculado ao Ministério da Integração Nacional.

O Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou, por meio de um boletim nesta terça-feira, que as recentes chuvas fortes sobre Santa Catarina foram "resultado do estabelecimento de um bloqueio atmosférico no oceano Atlântico que se formou durante a semana passada".

Segundo o Inpe, a "intensidade das chuvas está diminuindo. O tempo deve ficar nublado com chuva fraca até sábado".

Na década de 1980, o Estado de Santa Catarina também foi castigado pelas cheias. Em 1983, quase 200 mil pessoas ficaram desabrigadas e 49 morreram por causa da chuva, segundo dados oficiais.

(Com reportagem adicional de Alice Assunção em São Paulo)

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