Mortos chegam a 69 em SC; governo avalia liberar recursos via MP

Por Pedro Fonseca RIO DE JANEIRO (Reuters) - As operações de resgate e ajuda às dezenas de milhares de vítimas das fortes chuvas que deixaram ao menos 69 mortes em Santa Catarina desde o fim de semana foram intensificadas nesta terça-feira, enquanto o governo federal estuda uma medida provisória para liberar recursos destinados à recuperação da região.

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Quatro municípios declararam estado de calamidade, e outros oito continuam inacessíveis, com diversas estradas bloqueadas por enchentes e queda de barrancos. Cerca de 30 pessoas ainda estão desaparecidas, o que pode elevar o número de mortos para quase 100, de acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina.

Com mais de 50 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, as autoridades locais tentam se mobilizar para conseguir ajuda e dar seguimento ao resgate e amparo à população.

O governo federal avalia uma medida provisória para liberar recursos, mas o valor ainda não foi definido. "Depende muito da demanda, isso (valor) será definido nas próximas 48 ou 72 horas", disse à Reuters por telefone o secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, que desde domingo está em Santa Catarina à frente das operações de resgate.

Segundo o secretário, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, sobrevoou regiões atingidas nesta terça-feira e solicitou um vídeo com as imagens. A pedido do ministro, o presidente Lula deve apresentar ao Congresso a medida provisório nos próximos dias.

Mais de 500 homens do Exército foram enviados para prestar socorro aos moradores de Blumenau, onde 13 pessoas morreram soterradas, e o prefeito João Paulo Kleinubing declarou no fim de semana estado de calamidade pública. Imagens de TV mostraram ruas da cidade tomadas pela lama, apesar de a chuva ter dado uma trégua.

Em Ilhota, a 111 quilômetros ao norte da capital Florianópolis e onde 15 pessoas morreram desde o fim de semana, o maior número no Estado, pessoas isoladas pelas águas acenavam pedindo ajuda, segundo imagens de TV.

Um grupo de salvamento da Força Área montou uma base na cidade de Navegantes, e governos de outros Estados enviaram helicópteros para ajudar no resgate de pessoas ilhadas.

"Em Ilhota e Itajaí, efetivamente, eles estão com muita água. O município de Itajaí está em torno de 80 por cento submerso", afirmou o secretário de Defesa Civil, que tem realizado sobrevôos diários sobre as áreas mais atingidas. O Estado vem sendo castigado por chuvas constantes há mais de três meses.

Mais de 22 mil pessoas estão em abrigos montados em ginásios, escolas e igrejas, parte da população está sem acesso a água e energia. A Defesa Civil de Santa Catarina pediu a doação de água potável como prioridade, enquanto o governo federal disse ter entregue 286 toneladas de comida para os desabrigados.

O abastecimento de gás em municípios da região e no Rio Grande do Sul também foi afetado com o rompimento de um duto na terça-feira. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) informou em comunicado que as obras de conserto no trecho do gasoduto rompido pela chuva vão levar 21 dias e que será colocado em prática um plano de contingência para o fornecimento a residências, hospitais e comércio durante o reparo.

Segundo o secretário, a prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é conseguir abrigo, alimento e medicação para a população atingida pelas enchentes e deslizamentos.

"A primeira preocupação é com a integridade física, com a vida. A recomendação do presidente Lula é abrigar, medicar e alimentar as pessoas atingidas", disse o secretário, vinculado ao Ministério da Integração Nacional.

O Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou, por meio de um boletim nesta terça-feira, que as recentes chuvas fortes sobre Santa Catarina foram "resultado do estabelecimento de um bloqueio atmosférico no oceano Atlântico que se formou durante a semana passada".

Segundo o Inpe, a "intensidade das chuvas está diminuindo. O tempo deve ficar nublado com chuva fraca até sábado".

(Edição de Maria Pia Palermo)

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