Mortes no trânsito crescem 24% em 10 anos, puxadas por acidentes com motos

Entre 1998 e 2008, a porcentagem de mortes no trânsito cresceu mais do que as mortes por homicídios

iG São Paulo |

O aumento nos acidentes com motociclistas fez com que as mortes no trânsito brasileiro crescessem 23,9% entre 1998 e 2008, segundo o Mapa da Violência 2011: Acidentes de Trânsito, compilação divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Sangari. Na década estudada, as mortes ocorridas em acidentes de motos cresceram 754% . As mortes de ciclistas também assustam: registraram um aumento de 308%. Ao mesmo tempo, o número de óbitos envolvendo automóveis foi proporcionalmente menor que o aumento da frota.

AE
Acidente com motocicletas seguem em crescimento
O crescimento das mortes registradas nos acidentes de trânsito é maior do que a escalada de violência, se comparada a mesma época. Segundo o estudo, entre 1998 e 2008, o número de homicídios cresceu 16,2% contra os 23,9% dos acidentes de trânsito. Apesar disso, em dados absolutos, o números de mortes em homicídios ainda segue maior, com 50.113 vítimas em 2008. Em acidente de trânsito, o número de óbitos foi de 38.273.

Segundo o estudo, em 1998, os acidentes envolvendo motociclistas deixaram 1.047 mortos no País. Em 2008, o número saltou para 8.939. Os acidentes envolvendo ciclistas saltou de 396 para 1.615. Já nos acidentes envolvendo automóveis, o número de óbitos passou de 3.663 para 8.120. A única redução em números absolutos, nos últimos 10 anos, ocorreu entre os pedestres, quando em 1998 morreram 11.227 e em 2008, 9.474, uma redução de 15,6%.

"Se nada mudar, até 2015 teremos um massacre de motociclistas", disse à BBC Brasil Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisa do Instituto Sangari e autor do estudo.

Ele cita uma "reconfiguração" dos padrões de acidente desde a adoção do Código de Trânsito, em 2007.

Desde então, caíram as mortes de pedestres, e morrem menos pessoas por automóveis em circulação. Mas, no caso das motos, ocorreu o oposto: o risco de morte cresceu mais do que a própria frota, afetando principalmente a população entre 18 e 24 anos do sexo masculino.

"Se nada for feito, a tendência é que essas mortes continuem aumentando, em ritmo de 4% ao ano", trazendo elevados custos sociais, financeiros e emocionais, diz Jacobo Waiselfisz.

Segundo o estudo, em 1970, as 62 mil motocicletas registradas no País representavam só 2,4% do total de veículos motorizados. Para 2010 já podem ser contadas 16,5 milhões de unidades, representando 25,5% dos veículos motorizados.

Educação no trânsito
Para o estudioso, a redução nas taxas de mortes de pedestres se deveu a campanhas educativas e à maior fiscalização, por exemplo, da obediência à faixa de pedestres.

Ele sugere medidas parecidas para lidar com o aumento na frota e nos acidentes envolvendo motos. "Faltam legislação adequada, educação no trânsito e fiscalização", diz, citando também a tensão constante entre motociclistas e os demais agentes do trânsito.

"O elevado risco-motocicleta deveria ser compensado com uma legislação que pudesse tornar mais segura a vida, não apenas dos motociclistas como também dos pedestres, vítimas dessa nova ameaça no trânsito", conclui o estudo.

"Mas isso não vem ocorrendo, e o meteórico crescimento no número de vítimas indica a magnitude dessa inadequação. Propomos políticas específicas para a formação e o treinamento dos motociclistas, a definição de requisitos específicos para serviços de entrega e o reforço das campanhas educativas." 

* com informações da BBC Brasil

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