RIO DE JANEIRO - A Secretaria de Segurança Pública do Rio investiga a participação de policiais na morte do motoboy Edson Vaz do Nascimento. A família acusa a polícia de ter atirado pelas costas, enquanto Edson conversava com um amigo. A secretaria, porém, diz que os policiais, que faziam patrulha rotineira no morro, afirmaram não ter disparado contra o rapaz.

"Eu estava em casa. Minha filha me disse pela janela que ele (Edson) tinha caído. Ele me falou que ia descer (o morro) para lanchar e parou para conversar com um amigo. Fui até o local, mas ele já estava morto", contou a esposa de Edson, Alessandra do Nascimento Rodrigues, de 25 anos.

Segundo Alessandra, seu marido já havia levado três tiros da polícia há oito anos, que o atingiram no braço e nas pernas. A mãe de Alessandra, Maria das Graças do Nascimento Rodrigues, de 46 anos, afirma que não houve troca de tiros, conforme os quatro policiais militares que estariam participando de uma operação no Morro Azul chegaram a alegar.

A Secretaria de Segurança Pública diz que o caso ainda está sob investigação e, por isso, não é possível confirmar a participação dos policiais. Em depoimento, eles contaram que ouviram um tiro enquanto efetuavam a prisão de um homem que portava drogas.

Amigos que pediram para não serem identificados disseram que os policiais queriam levar o corpo de Edson dentro de um camburão, com dinheiro e drogas, com o suposto objetivo de incriminar o motoboy. Ainda segundo moradores que pediram anonimato, os policiais seriam todos carecas e fariam parte do chamado Bonde dos Carecas, uma espécie de milícia que atua na região.

Edson foi enterrado neste domingo, sob gritos de justiça, no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul da cidade. Após sua morte, na noite de sábado, uma onda de revolta tomou conta dos moradores da região, que depredaram um banco e atearam fogo em lixeiras e veículos perto do acesso ao morro, na rua Marques de Abrantes. O comércio na região chegou a fechar as portas, temendo prejuízos.

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