Mortalidade infantil diminui 58,23 % no Ceará

FORTALEZA - O Ceará foi o Estado brasileiro com maior redução da taxa de mortalidade infantil (óbitos de menores de um ano de idade para cada mil nascidos vivos): 58,23%, entre 1991 e 2007. Em1991, a média de mortes era de 71,10% e, no ano passado, esse percentual caiu para 29,70%. Os dados são do estudo ¿Tábua de Vida¿, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), de acordo com o jornal Diário do Nordeste.

Agência Nordeste |

No Nordeste, a diminuição foi de 50,21%, sendo a maior entre as cinco regiões do País. Ela, inclusive, foi superior à média brasileira de 46,18%. Depois do Ceará, o segundo Estado com maior queda na taxa de mortalidade foi o Piauí, com 54,44%, seguido por Roraima, com 53,30%.

Entre 2007 e 2015, conforme projeção do IBGE, a taxa de mortalidade no Ceará será de 22%, que representará uma queda de 25,93%. Esses indicadores não são à toa. No Estado, em 2006, o Ceará já havia apresentado uma redução de 56,7%, de acordo com o Caderno Brasil, lançado pelo Fundo das Nações Unidas (Unicef), em janeiro último. Até 2008, a mortalidade de crianças com menos de um ano foi de 16,1 para cada mil nascidos vivos, conforme Manoel Fonseca, coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

Essa média, segundo a presidente da Sociedade Cearense de Pediatria, Regina Portela, já foi de 106 mortes para cada mil nascidos vivos, em 1986. Conforme Fonseca e Regina Portela, os resultados alcançados são justificados, principalmente, pela ação dos agentes comunitários os quais, há cerca de dez anos, iniciaram um trabalho de conscientização de que a desidratação, oriunda da diarréia, era a maior causa de morte.

A população começou a entender que a desidratação mata e que com medidas simples, como a ingestão de líquido, o soro caseiro e cuidados com a higiene eram eficazes. Além disso, começaram a se preocupar com o cansaço, a dificuldade de respiração e a tosse que podiam ser sinais de pneumonia, argumenta a pediatra.

Quando se facilita o uso do soro, impede que as crianças morressem por desidratação da diarréia, até mesmo se tratando em casa, ou dá pelo menos condições para que elas conseguissem chegar aos hospitais, avalia Manoel Fonseca. Além disso, como complementou, sendo a pneumonia a segunda causa de óbito, o reforço dos profissionais do Programa Saúde da Família (PSF) também funcionaram nesse sentido.

Agora, como reconhecem Manoel Fonseca e Regina Portela, ainda há desafios para serem enfrentados em relação à mortalidade infantil. Identificada como causas de mortes perinatais, elas são as que mais matam. Essas complicações ainda envolvem as causas da mortalidade materna, que, hoje, matam no Estado 73,1 em 100 mil, enquanto a Organização Mundial de Saúde preconiza 15 mortes para 100 mil.

Apontadas, atualmente, como o maior desafio da mortalidade infantil, as chamadas causas perinatais de morte podem atingir as crianças desde a 28ª semana de gestação até os primeiros sete dias de vida. De acordo com Manoel Fonseca, coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, elas se configuram como a maior causa de morte no Estado e podem ser evitadas com a melhora na qualidade do pré-natal oferecido e da assistência médica na sala do parto.

Conforme a pediatra Joana Maciel, coordenadora dos Centros Integrados da Unimed, é preciso que a mãe realize, no mínimo, seis consultas durante os nove meses, a fim de que o acompanhamento profissional possa resultar no diagnóstico precoce de algumas doenças. Além disso, há a necessidade da assistência na sala do parto, para que os filhos das pacientes com gravidez de risco sejam assistidos imediatamente.

Como cita Regina, a desnutrição materna, a gravidez na adolescência e o parto prematuro são exemplos de fatores de risco que fazem com que, ao nascer, a criança precisa ser examinada por um pediatra. Aliado a isso, Regina acrescenta que é preciso ter disponível UTI neonatal de qualidade.

Números

  • 46,18% foi a redução da taxa de mortalidade infantil no País, entre 1991 e 2007
  • 45,19% foi a taxa brasileira em 1991. Em 2007, esse número reduziu para 24,32%
  • 50,21% foi o declínio da causa da morte, durante os 16 anos, na região Nordeste
  • 71,50% era a média de mortalidade apresentada pelo Nordeste em 1991
  • 35,60% foi a taxa apresentada na região durante o ano passado
  • 58,23% foi a diminuição na mortalidade infantil no Ceará, em 16 anos
  • 71,10% era taxa de mortalidade em 1991, no Estado do Ceará
  • 29,70% foi a média registrada no Ceará em 2007

Leia mais sobre: mortalidade infantil

    Leia tudo sobre: mortalidade

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG