Morreu Yussef Chahin, o mais célebre dos cineastas egípcios

O mais famoso dos cineastas egípcios, Yusef Chahin, morreu aos 82 anos de idade no Cairo depois de passar várias semanas em coma, informou neste domingo um de seus discípulos, o diretor Jaled Yussef.

AFP |

Yusef Chahin ficou hospitalizado em Paris durante um mês depois de sofrer um hemoragia cerebral, que o fez entrar em coma em 16 de junho.

Em 17 de julho foi levado de volta para o Cairo, onde era tratado no hospital militar Maadi.

Nascido em 25 de janeiro de 1926 em Alexandria, seu país foi cenário de cerca de 40 longas-metragens em que deixou patente suas idéias de esuerda e seu anti-islamismo.

No entanto, Chahin foi muito mais conhecido no estrangeiro do que em seu Egito natal. Em 1997 obteve a Palma de Ouro honorária do Festival de Cannes peo conjunto de sua obra, depois de ganhar um Urso de Prata no Festival de Berlim.

Entre seus principais filmes se destacam "Águas negras" (1956), "Estação central" (1958) e "A Terra" (1969), obra-prima poética e política consagrada ao mundo agrícola.

As cerimônias fúnebres acontecerão nesta segunda-feira em uma igreja do centro do Cairo. O cineasta será enterrado no panteão de sua família na Alexandria.

O presidente francês Nicolas Sarkozy classificou Chahin de "fervoroso defensor da liberdade de expressão e das liberdades individuais e coletivas".

"A sétima arte acaba de perder um de seus mais célebres servidores", acrescentou Sarkozy em seu comunicado.

O presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, assegurou, por sua parte, que o festival "chora um grande cineasta, msa também um amigo, um modelo e um exemplo".

Educado em francês e inglês, Chahin estudou cinema na Califórnia quando era mais novo e voltou para seu país para liderar arte egípcia de fazer filmes, então a mais influente no mundo árabe.

Pobreza, luta operária e luta pela independência marcaram sua obra nos anos 50 e 60, e ele usou melodramas neo-realistas para fazer chegar ao público suas mensagens políticas.

A expansão do islamismo sufocou Chahin, que, em sua infância, conheceu um Egito tolerante, multiétnico, no qual os cristãos como ele e os judeus viviam em harmonia.

"O emigrado" (1994), inspirando-se na vida do patriarca bíblico José, e "O destino" (1997), sobre a vida do filósofo árabe do século XII Averroes, lhe valeram a censura dos integristas egípcios.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, o cineasta fez um controvertido curta-metragem, dentro de um filme coletivo, e posteriormente outro filme, em 2004, para mostrar seu desamor pelos Estados Unidos.

Crítico do regime autocrata egípcio, seu último filme, "O caos", não teve o sucesso esperado nem no Egito nem no exterior.

an/jlb/cn

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