Morre o escritor Serguei Mikhalkov, autor dos hinos russo e soviético

O poeta e escritor Serguei Mikhalkov, que redigiu o hino soviético de Stalin e depois o hino da Rússia independente, morreu nesta quinta-feira aos 96 anos, informou à agência de notícias Interfax um de seus colaboradores, Denis Baglaï.

AFP |

Admirador de Stalin em sua época, depois de Vladimir Putin --ex-presidente russo que se tornou primeiro-ministro-- e do atual chefe de Estado, Dmitri Medvedev, Serguei Vladimirovitch Mikhalkov era também o autor de livros de referência para crianças.

Os dois dirigentes russos expressaram, imediatamente, sua tristeza após a morte desse ícone da cultura russa.

"Um clássico da literatura russa parou de viver, um homem de mérito, um autêntico cidadão. Seus talentos múltiplos eram manifestados vividamente em seus poemas para crianças, com os quais gerações inteiras cresceram, assim como nos versos de nosso hino nacional", declarou Medvedev em um telegrama aos parentes do escritor, divulgado pelo Kremlin.

"Em todas as épocas, Serguei Vladimirovitch viveu pelos interesses de sua pátria, servindo-a, tendo fé nela", escreveu.

Já o primeiro-ministro russo saudou a memória de um "verdadeiro patriota" e o "talento único" de Serguei Mikhalkov, cujas obras foram divulgadas em 300 milhões de exemplares, principalmente nos países da ex-URSS.

O presidente da União dos Escritores Russos, Valeri Ganitchev, destacou também a memória de um autor adorado por todas as crianças que cresceram na era soviética.

"Serguei Vladimirovitch era um homem muito talentoso, de múltiplas facetas (...), cheio de energia e que jamais perdia o seu senso de humor", declarou à agência RIA Novosti.

Pai dos célebres cineastas russos Nikita Mikhalkov e Andrei Kontchalovski, ele desafiou o tempo e a sucessão de regimes políticos do Kremlin, assinando cada hino nacional.

Ele escreveu os versos entoados pelos soviéticos sob o regime de Stalin, depois o hino "desestalinizado", após a morte do líder e a condenação do culto a sua personalidade em 1956, antes de redigir, sempre sobre a mesma música, o hino à glória da Rússia independente.

alf/dm

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