Morre no Rio o escritor Antônio Olinto, da ABL

RIO DE JANEIRO - Morreu na madrugada deste sábado, aos 90 anos, o escritor Antônio Olinto, no Rio de Janeiro. O corpo do escritor foi velado na Academia Brasileira de Letras (ABL) e sepultado no Mausoléu Acadêmico, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no no Rio de Janeiro.

Agência Estado |

O escritor era viúvo da também escritora Zora Seljan, que morreu no Rio de Janeiro em 25 de abril de 2006. O casal não teve filhos. Coincidentemente, Olinto morreu no mesmo dia em que tomou posse na ABL, 12 anos atrás. Ele ocupava a cadeira de número 8, e nela foi sucessor de Antonio Callado.

Autor dos romances "A Casa da Água", "O Rei de Keto", "Trono de Vidro", entre outros, Olinto era diplomata e nasceu em Ubá, Minas Gerais. Seus livros foram traduzidos para 19 idiomas.

Amante das letras

Antes de tornar-se escritor, Antônio Olinto foi professor em colégios do Rio de Janeiro, onde lecionou Latim, Português, Francês, Inglês, História da Literatura e História da Civilização.

Em 1949, aos 30 anos de idade, publicou sua primeira obra, o livro de poesia "Presença". A paixão pela escrita era tanta que o levou a organizar 1.a exposição de poesias da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Posteriormente Antônio Olinto ingressou no jornalismo, assumindo a posição de crítico literário do jornal O Globo por 25 anos. Seu ensaio "Jornalismo e Literatura", de 1955, foi adotado em cursos de jornalismo em todo o Brasil.

Neste mesmo ano conheceu a escritora e jornalista Zora Seljan, com quem se casou e trabalhou no jornal. Não era incomum ver o texto de Antônio Olinto publicado ao lado da crítica teatral de sua esposa, ambos dividindo uma mesma página do periódico.

O casal ainda fundaria em 1973 o jornal The Brazilian Gazette, sediado em Londres e publicado até os dias de hoje em inglês.

Na televisão o autor foi responsável pela direção e apresentação dos primeiros programas literários de televisão no Brasil, primeiro na TV Tupi e em seguida nas emissoras Continental e Rio.

Paixão pela África

A cultura africana tornou-se marca do trabalho de Antônio Olinto. A paixão começou na Nigéria, onde foi nomeado Adido Cultural pelo governo parlamentarista de 1962. Nessa posição o autor envolveu-se em assuntos relacionados a África independente, surgindo dessa experiência a trilogia de romances "A Casa da Água", "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

No continente africano surgiu o interesse pela cultura negra no Brasil, cuja principal obra é "Brasileiros na África", de 1964. A pesquisa e análise sobre o regresso dos ex-escravos brasileiros ao continente africano é até hoje motivo de teses, seminários e debates.

Regresso ao Brasil, foi escolhido ao lado de Jorge Amado para assumir o título honorífico Obá de Xangô, no candomblé do Ilê Axé Opô Afonjá.

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