Morre dramaturgo Harold Pinter, Nobel de Literatura

LONDRES (Reuters) - O dramaturgo britânico e ganhador do Nobel de Literatura Harold Pinter, famoso pelos retratos mordazes e reflexivos sobre a vida doméstica, morreu aos 78 anos, informou a mídia britânica na quinta-feira. Pinter, que sofria de câncer, morreu na quarta-feira.

Reuters |

Ele recebeu o Nobel de literatura em 2005 pelo conjunto de sua obra, incluindo as peças "The Birthday Party" e "The Homecoming", consideradas pelos críticos como duas das melhores dos últimos cinquenta anos.

O dramaturgo opôs-se abertamente à invasão do Iraque, em 2003, comparando o governo do atual presidente norte-americano, George W. Bush, aos nazistas e chamando o ex-premiê britânico Tony Blair de "assassino em massa".

A segunda mulher de Pinter, Antonia Fraser, disse ao jornal The Guardian que ele era "um notável".

"Foi um privilégio viver com ele por mais de 33 anos. Ele nunca será esquecido", disse.

O trabalho de Pinter influenciou toda uma geração de dramaturgos britânicos e introduziu uma nova palavra no dicionário inglês, "Pinteresco", que descreve perfeitamento os silêncios salpicados de reflexões ditas pela metade.

Suas peças eram cheias de tensão, com fantasias eróticas, obsessão, ciúme e ódio. Os críticos classificaram as obras-primas de Pinter como "teatro da insegurança".

Mas o dramaturgo, filho de um alfaiate judeu, nunca ajudou o público a decifrar o significado de suas peças, dizendo a eles: "não há distinção clara entre o que é real e o que é irreal".

Pinter também se destacou na carreira de roteirista.

ESCÂNDALO CONJUGAL

De 1958 a 1978, uma série de peças de Pinter mudou a face to teatro britânico. Mas ele demorou 15 anos para entregar seu próximo trabalho, "Moonlight".

Em 1980, ele protagonizou um escândalo conjugal, quando sua mulher, a atriz Vivien Merchant, pediu o divórcio porque ele tinha um caso com Lady Fraser, escritora renomada e filha de Lord Longford, que militava contra a pornografia.

Pinter se casou com Fraser naquele mesmo ano, mas Merchant, estrela de muitas peças de Pinter, morreu em 1982, vítima do alcoolismo.

No fim da vida, Pinter tornou-se um ativista político, defendendo os direitos humanos e o desarmamento nuclear. Ele também declarou-se contra a polícia internacional do Ocidente.

"Os crimes cometidos pelos Estados Unidos no mundo têm sido sistemáticos, constantes, clínicos, sem remorso e amplamente registrados, mas ninguém fala sobre isso", disse.

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