O cineasta Dino Risi, pai da comédia de costumes italiana, morreu na manhã deste sábado em Roma, aos 91 anos, segundo a imprensa local.

Risi, nascido em 23 de dezembro de 1916 em Milão, se tornou nos anos 50 em um dos grandes realizadores da comédia italiana, com grandes sucessos como "Os Monstros", de 1963.

O cineasta trabalhou com os principais atores italianos da segunda metade do século XX, em especial Sophia Loren, Vittorio Gassman, Alberto Sordi e Ugo Tognazzi.

Risi realizou 54 filmes em meio século, em que apresentou um sutil retrato da sociedade italiana.

Formado em medicina e especializado em psiquiatria, Risi foi crítico, roteirista e produtor de documentários, antes de se lançar no cinema.

Dino Risi começou sua carreira como assistente de Mario Soldati, em "Pequeno Mundo Antigo" (Piccolo mondo antico - 1941), e de Alberto Lattuada, em "Giacomo l'idealista" (1942). Filmou cerca de 20 curtas nos anos 40.

Na década de 50, se instalou em Roma para definitivamente se consagrar no cinema. Em 1951, filmou "Vacanze col gangster", antes de tentar, em vão, fazer um filme na paulista Vera Cruz, em 1953.

Com Sophia Loren e Vittorio de Sica fez "O Signo de Vênus" e "Pão, amor e...", ambos em 1955.

Seu primeiro filme de sucesso foi "Pobres mas belas" (Poveri ma belli), filmado com Marisa Allasio, em 1956.

Também rodou "Perfume de Mulher" (Profumo di donna), em 1974, com Gassman e Agostina Belli, com o qual recebeu um César de melhor filme estrangeiro na França.

Dino Risi recebeu um Leão de Ouro por sua carreira em Veneza (2002).

Após a morte de Michelangelo Antonioni e de Ingmar Bergman, em julho de 2007, Dino Risi, com 90 anos, disse que "poderia ir de uma hora para a outra, mas vou esperar, se morro agora, os jornais colocarão a informação na parte de esportes".

"É uma grande perda para o cinema italiano", comentou Sofía Loren.

"Fazia uma comédia de costumes italiana, mas que na realidade era universal", disse o crítico italiano Valerio Caprara, lembrando que Risi "jamais se prendeu às exigências estéticas da moda".

Era "um Billy Wilder à italiana", afirmou o jornal La Repubblica.

Para muitos italianos, sua maior obra será "Aqueles que sabem viver" (Il Sorpasso), de 1962, com Gassman, que brinca com o milagre econômico.

Outros preferem "Uma vida difícil" (1961), sobre a Segunda Guerra Mundial, com Alberto Sordi.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, disse que "Dino Risi era um observador atento dos fatos e comportamentos, que imprimiu sua marca pessoal no cinema italiano".

"Com Dino Risi, o cinema italiano perde um de seus pais fundadores", estimou o novo ministro da Cultura, Sandro Bondi.

Para o ex-ministro da Cultura Francesco Rutelli, "Risi foi um dos maiores poetas do século XX".

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