O célebre diretor russo de ópera, Boris Pokrovski, que dirigiu numerosas produções do Bolshoi na época soviética, morreu nesta sexta-feira aos 97 anos, anunciou uma porta-voz do prestigiado teatro moscovita.

"Morreu nesta manhã", declarou Katya Novikova à AFP, sem precisar as circunstâncias de sua morte.

Boris Pokrovski "fazia parte da galeria de mestres cujos nomes representam legitimamente uma honra para a cultura de nossa pátria", declarou o premier Vladimir Putin.

Nascido em 1912, Boris Pokrovski tornou-se diretor do Bolshoi em 1943, associando seu nome a uma série de óperas, entre elas "Eugène Onéguine" de Piotr Tchaïkovski.

Deixou suas funções em 1982, mas continuou a apresentar periodicamente espetáculos nos anos 90, assinando paralelamente uma série de produções.

Durante a vida, dirigiu mais de 180 óperas, segundo a biografia publicada no site do Bolshoi.

Entre os prêmios recebidos, está o título de Artista do Povo da União Soviética, em 1961, e o Prêmio Lenin, em 1980.

Mantinha boas relações com as autoridades soviéticas, mas uma de suas primeiras produções - a colocação em cena de "La Grande Amitié" do compositor georgiano Vano Mouradeli, em 1948 - havia desagradado muito a Joseph Stalin.

O Birô político do PCUS havia qualificado a ópera de "antiartística", no quadro de uma campanha contra a tendência moderna da "burguesia" na música, que teve como alvo mais célebre o compositor russo Dmitri Chostakoviski.

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