Morre arquiteto Jorn Utzon, criador da Ópera de Sydney

COPENHAGUE ¿ O arquiteto dinamarquês Jorn Utzon, criador da Ópera de Sydney, morreu hoje, aos 90 anos, de uma parada cardíaca enquanto dormia, segundo fontes familiares.

EFE |

Considerado um dos arquitetos mais importantes do século 20, e ganhador em 2003 do Prêmio Pritzker, chamado por muitos de o "Nobel" da arquitetura, Utzon nasceu em 9 de abril de 1918 em Copenhague, mas se mudou ainda pequeno para Aalborg, ao norte da península da Jutlândia, onde passou sua infância.

Em Aalborg foi inaugurado em maio passado um centro de pesquisa dedicado a sua obra, projetado por ele mesmo e por seus filhos Jan e Kim, e que conserva o arquivo pessoal do artista, incluindo obras desconhecidas, rascunhos e desenhos originais.

Formado pela Real Academia de Arte de Copenhague, Utzon foi influenciado no início de sua carreira por duas figuras-chave da arquitetura escandinava, o sueco Gunnar Asplund e o finlandês Alvar Aalto.

Em 1957 ganhou o concurso internacional para construir a Ópera de Sydney, obra que o tornou mundialmente famoso e que é considerada um dos ícones visuais do século passado.

Com um orçamento que tinha disparado e seguidos atrasos em sua construção, Utzon, brigado com as autoridades locais, abandonou Sydney em 1966, jurando que nunca voltaria à cidade, assistindo à construção do interior de sua obra prima ser delegada a outros arquitetos, sem respeitar seus planos originais.

No entanto, a passagem do tempo e a insistência do Governo do estado de Nova Gales do Sul, ao qual pertence Sydney, convenceram um idoso Utzon a dirigir há alguns anos um projeto de reforma, que incluía melhoras da acústica e mudanças no interior.

A Ópera de Sydney "sintetiza todas suas virtudes como arquiteto e faz com que possamos pensar que o que fazemos pode chegar a estar muito acima do que somos", disse uma vez o arquiteto espanhol Rafael Moneo, que trabalhou quando jovem no estúdio de Utzon na Dinamarca.

Utzon tinha voltado a morar na Dinamarca há mais de um ano, depois de ter vivido por várias décadas em Mallorca, na Espanha, na qual viveu durante anos com sua mulher.

A presença da natureza como fonte de inspiração e sua capacidade de captar a essência em arquiteturas de outras culturas são os principais traços de sua obra, na qual também se destacam a igreja de Bagsvaerd (Copenhague, 1968-76) e o Parlamento do Kuwait (1972-82).

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