HAVANA ¿ Morreu anteontem em Cuba, aos 66 anos, o cineasta Humberto Solás. Ele pertencia à geração de Tomás Gutiérrez Alea, Santiago Alvarez e Julio García Espinosa, diretores que se uniram a Fidel Castro para fazer a revolução cubana na arte.

Alea e Alvarez já morreram e agora resta somente Espinosa, que não pôde ser homenageado no recente Festival de Gramado - onde deveria ter recebido o Kikito de Cristal -, por problemas de saúde.

Nascido em 1942, o jovem Solás foi possuído pelo ardor revolucionário e abandonou o curso de Arquitetura para participar da insurreição contra a ditadura de Fulgencio Batista. Logo após o triunfo da revolução, em 1959, começou a trabalhar como produtor de curtas, sendo um dos responsáveis pelo noticiário do Icaic, o Instituto Cubano de Cinema, que se transformara em porta-voz do movimento vitorioso. Desde seus primeiros curtas ¿ "Casablanca" e "Minerva Cruza el Mar", de 1961 e 62 ¿, adotou um tom que pode ser considerado insólito para abordar as mudanças políticas e econômicas em Cuba. Seu cinema se tornou internacionalmente conhecido pelos retratos de mulher que Solás propõe em "Manuela" e "Lucia". O segundo, de 1968 ¿ mesmo ano de "Memórias do Subdesenvolvimento", de Alea ¿, é sua obra-prima.

"Lucia" conta a história de três mulheres em diferentes períodos da história cubana, desde o colonialismo até a luta revolucionária. Por seu cuidado detalhismo e esplendor visual, Solás chegou a ser chamado de Luchino Visconti da revolução cubana. Longas como "Cecília", de 1982, e "Um Homem de Sucesso", de 86, valeram-lhe não poucos problemas com as autoridades. Solás era crítico do regime, mas nunca pensou em abandonar Cuba. Sem verba para desenvolver seus projetos ¿ dizia que a crise econômica mudara "as estruturas do pensamento" ¿, passou a depender cada vez mais dos parcos financiamentos que conseguia no exterior, especialmente na Espanha, para fazer seus filmes que eram, em geral, caros para os padrões cubanos.

Em 2001, com "Mel para Oxum", Solás quis dar seu testemunho sobre a crise que assolava Cuba. O filme foi feito com poucos atores, em super-16 mm, no formato road movie. Solás trabalhou sobre um roteiro construído, mas flexível para absorver o que a estrada tinha para lhe oferecer.

Leia mais sobre: Humberto Solás

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.