Por Ana Nicolaci da Costa BRASÍLIA (Reuters) - O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou nesta terça-feira, em Brasília, de evento que marcou a prorrogação da moratória à soja cultivada no bioma Amazônico e anunciou que a medida deverá ser expandida para os setores madeireiro e de carne bovina.

O compromisso, assinado pelas empresas de beneficiamento de grãos e exportadores, prevê a ampliação da proibição da compra de soja plantada na Amazônia até julho de 2009.

'Essa mesma iniciativa será estendida para dois outros setores --o madeireiro e o de carne', afirmou Minc, ao elogiar o setor de grãos por atuar como 'pioneiro' da iniciativa.

A extensão moratória, que já vigora desde julho de 2006, foi firmada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que inclui grandes beneficiadores como a Cargill, a Bunge, a ADM e Louis Dreyfus, e pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Ambientalistas apoiaram a decisão das associações, considerada essencial para proteger a maior floresta tropical do mundo.

O desmatamento na região tornou-se mais intenso nos últimos meses, período no qual o preço mundial dos grãos continuou a bater recordes de alta.

A disparada dos preços, de outro lado, faz com que o setor da soja comece a se recuperar da pior crise enfrentada em décadas. De 2004 até 2006, a valorização do real diante do dólar e a elevação dos custos de produção (combustíveis e fertilizantes mais caros) levaram muitos produtores à beira da falência.

O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, depois dos EUA. A Abiove e a Anec controlam cerca de 94 por cento do comércio brasileiro desse grão.

'A decisão tomada hoje é muito importante já que mostra que um setor fundamental do agronegócio brasileiro pode garantir a produção de comida sem precisar derrubar um hectare a mais da Amazônia', afirmou Paulo Adário, diretor da campanha do Greenpeace para a defesa da Amazônia.

O desmatamento da floresta registra um ritmo crescente depois de três anos de desaceleração --dados preocupantes divulgados no começo deste mês mostram que 1.123 quilômetros quadrados de árvores perderam-se em abril.

Minc substituiu a ativista Marina Silva no comando do Ministério do Meio Ambiente gerando preocupação entre os ambientalistas sobre a possibilidade de o governo estar bandeando-se para o lado dos interesses agrícolas e industriais, que desejam explorar economicamente as terras amazônicas.

Em um sinal de comprometimento com a preservação da floresta, o governo divulgou vários programas nas últimas semanas, incluindo a criação de três reservas de proteção e uma operação para apreender cabeças de gado que pastem em áreas desmatadas.

O Greenpeace afirmou, porém, que a prorrogação da moratória pode não ser suficiente para dar as ferramentas necessárias a fim de garantir que a produção de soja não resulte em mais desmatamento.

(Com reportagem adicional de Inaê Riveras em Sao Paulo)

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