RIO DE JANEIRO ¿ Cerca de 200 moradores do Morro da Providência entraram em confronto com soldados do Exército no fim da tarde desta segunda-feira durante protesto em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML), no centro do Rio, nas proximidades da Central do Brasil. Os manifestantes levavam faixas e cartazes e protestavam por causa da morte dos três jovens que foram entregues aos traficantes do Morro da Mineira, da facção rival, por militares do Exército.


AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto

Os manifestantes foram dispersados pela Polícia do Exército, que usou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio. Alguns manifestantes sofreram ferimentos leves e um cinegrafista levou uma pedrada, mas não se machucou gravemente. Um rapaz foi preso e vai prestar depoimento no 4 o DP (Praça da República).


Os moradores do Morro da Providência chegaram à sede do CML depois de participar do enterro dos três jovens no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona Sul do Rio.

Sete ônibus e 11 motos saíram em cortejo do cemitério. A princípio, eles passariam pelo túnel Santa Bárbara, mas mudaram o caminho e passaram pelo túnel Rebouças, seguindo o conselho da PM, que temia um ataque dos traficantes do Morro da Mineira.

Devido ao protesto, o trânsito ficou prejudicado na Avenida Presidente Vargas nas imediações do comando, principal via de acesso do centro para as zonas sul e norte da cidade.

Paralisação

Os 750 operários do Projeto Cimento Social, liderado pelo Exército no Morro da Providência, na área central do Rio de Janeiro, paralisaram nesta segunda-feira os trabalhos na favela em protesto contra a presença da Força na comunidade. O comércio fechou em algumas ruas e o atendimento no Hospital dos Servidores do Estado foi suspenso. 

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Com informações da Agência Brasil

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