Moradores de rua pedem que estações de Metrô fiquem abertas no inverno

SÃO PAULO - Cerca de 500 pessoas, segundo a organização do Movimento Nacional de População de Rua, estiveram nesta quarta-feira na entrada da Câmara Municipal de São Paulo onde reivindicaram a criação de mais vagas em albergues e a abertura das estações de Metrô, durante as madrugadas, no período mais frio do ano, o inverno. Temos que ficar mais protegidos do frio, explica Anderson Lopes, coordenador do movimento.

Agência Brasil |

Durante a sessão desta tarde, alguns moradores de rua entraram na Câmara e estenderam faixas onde escreveram a palavra Respeito. Os vereadores não interromperam seus trabalhos para ouvir as reclamações dos manifestantes, que saíram do local com os ânimos exaltados. "Estamos decepcionados porque ninguém quer nos atender", disse Lopes.

Para o morador de rua Francisco Lopes Pereira, o ato de hoje foi importante. "Nosso objetivo não é conseguir e, sim, tentar mostrar para as autoridades a nossa condição", afirmou. Pereira costuma dormir na estação de Metrô Tatuapé porque, segundo ele, conhece todo mundo. "Nunca morei na rua, só estou nesta situação porque levei um calote e não tive dinheiro para pagar o aluguel", completou.

A vendedora Tula Pilar Ferreira foi à Câmara para fazer coro ao que chama de protesto dos excluídos. "A sociedade exclui os moradores de rua", opinou.

Ela afirma que quase foi morar na rua com seus três filhos quando perdeu o emprego. "Entrei em risco social. Se não tivesse arrumado o trabalho que estou hoje, teria ido para rua porque não tinha dinheiro para o aluguel".

Segundo ela, estas manifestações são importantes para alertar a sociedade sobre o problema que os moradores de rua enfrentam. "A sociedade precisa abrir os olhos e não agir com este descaso. À sociedade cabe o dever de cobrar o governo para criar políticas públicas", disse Tula.

Antonio Carlos Araujo morou nas ruas de São Paulo durante dez anos. Há seis, ele paga o aluguel de um quarto. Durante a manifestação na Câmara, Araujo afirmou que o evento era importante para mostrar que os moradores de rua também são cidadãos. "E como cidadãos têm direitos, assim como deveres, que devem ser respeitados", pontuou. 

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