Cerca de 30 moradores do bairro de classe média alta Parque das Nações e do condomínio Santa Mônica, em Atibaia (SP), invadiram na madrugada de ontem a hidrelétrica do centro empresarial da cidade e abriram 40 centímetros de uma das duas comportas da barragem. Foram liberados 5 mil litros de água por segundo a mais no Rio Atibaia.

Segundo as famílias, um dos vertedouros era mantido fechado há dois meses para obras de manutenção, o que estaria aumentando a retenção de águas nas margens do rio.

O bairro e o condomínio, alagados desde segunda-feira e localizados 1 quilômetro acima da usina, foram construídos em área de várzea a partir de 1999, com autorização da prefeitura. O operador da usina confirma que um dos vertedouros estava fechado para a instalação de novas bobinas, mas nega que a medida tenha contribuído para as enchentes.

Homens e mulheres se organizaram em caminhonetes tração 4X4 importadas e jipes para chegar à usina, em meio a uma trilha de mata fechada, ao lado da Rodovia Dom Pedro. Seis homens com cordas ajudaram a puxar a madeira da comporta. Ontem pela manhã, por volta das 8 horas, moradores comemoravam e diziam que o nível do rio e das ruas alagadas só não subiu mais durante a madrugada, após novas chuvas, por causa da abertura forçada da comporta.

Das 23 horas de quinta-feira às 16 horas de ontem, o Atibaia havia subido apenas sete centímetros - de 4,20 metros para 4,27 metros. Na quarta-feira, mesmo sem chuvas, o rio chegou a subir meio metro, por causa da abertura dos vertedouros de dois dos quatro reservatórios que transbordaram do Sistema Cantareira. Do reservatório da usina, abaixo dos bairros alagados, os moradores reclamam do contrário: queriam que o vertedouro fosse aberto, para aumentar a vazão do Atibaia em direção ao Rio Piracicaba. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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