Moradores da zona sul protestam contra alagamentos

Moradores do bairro Rio Bonito, na região de Cidade Dutra, zona sul de São Paulo, fizeram uma manifestação na noite desta terça-feira, 19, para protestar contra os alagamentos causados pelas chuvas no local. Houve confronto com a Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral e tiros de borracha para dispersar a multidão.

Agência Estado |

Ninguém ficou ferido ou foi detido. Os moradores afirmam que eram cerca de 300 manifestantes; já a Polícia Militar estima um número aproximado de 60 pessoas.

Começou a chover na região, que tem casas de alvenaria e barracos de madeira, no início da noite da terça-feira. Por volta das 19 horas, quatro vias do bairro - as ruas Francisco de Arruda (onde há um córrego), Sebastião de Medeiros, Marli de Oliveira Cobra e Marion - já estavam alagadas. Segundo os moradores, o nível da água ultrapassou um metro de altura. Eles então foram às ruas para protestar. Por volta das 20 horas, eles montaram barricadas de lixo em chamas na esquina da Avenida Senador Teotônio Vilela com a Rua Sebastião de Medeiros.

Os bombeiros se dirigiram ao local para apagar o fogo e foram recebidos a pedradas. A PM foi acionada e enviou equipes da Força Tática. Conforme a PM, os policiais foram atacados com fogos de artifício e pedras, e responderam com as bombas de efeito moral e tiros de borracha. Os manifestantes só foram completamente dispersados no início da madrugada, quando muitas das pessoas atingidas pela chuva ainda não tinham ideia de onde passariam a noite, como no caso da auxiliar de limpeza Ivana Gomes da Silva de 48 anos.

"Estou desesperada, com um filho desaparecido. Minha filha e meu neto de 3 anos vão passar a noite na casa de uma vizinha, mas não dá para ficar todo mundo lá", disse. Ivana estava em casa com a filha de 22 anos, grávida de cinco meses e o neto, que tem uma deficiência física nos pés, no momento em que o chão do barraco foi "engolido" pelas águas. O filho dela, Alexssandro Gomes da Silva, de 27 anos, estava trabalhando quando soube da enchente e voltou para casa para ajudar a família. Depois de salvar a mãe, ele desapareceu.

"Quando a água veio, ela derrubou um armário, que trancou a porta. Daí meu filho chegou. Foi ele que me tirou, pelo teto, que desabou, de dentro de casa. Depois não vi mais ele, não sei o que aconteceu", lamentou. A filha e o neto de Ivana foram socorridos por vizinhos. "Perdemos tudo o que tínhamos e ainda não achei meu filho", desabafou ela, que mora na Rua Sebastião de Medeiros.

A família do ajudante geral Maurício Ferraz da Silva, de 25 anos, também ficou sem ter para onde ir depois do alagamento. A casa onde ele morava com a mãe, de 53 anos e as irmãs, de 20 e 15 anos, desabou, na mesma rua do barraco de Ivana. "Conseguimos salvar só a geladeira e o fogão", contou. Conforme os moradores, os problemas de alagamento são frequentes nas imediações, principalmente nesta época do ano. O córrego da Rua Francisco de arruda enche e as casas das imediações são invadidas pela água.

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