Morador teria dito que filho do casal não viu ninguém entrar no apartamento, diz síndico

SÃO PAULO - Em depoimento no início da noite à Justiça de São Paulo, o síndico do Edifício London, Antônio Lúcio Teixeira, disse ter sido procurado nesta quarta-feira por um morador do prédio, identificado como Jeferson, que disse ter tido contato com o menino Pietro, filho de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, logo após a morte de Isabella. Jeferson teria perguntado ao menino se alguém, referindo a um suposto ladrão, havia entrado no apartamento da família. Filho, alguém entrou no apartamento? E o menino respondeu: não, não, disse o síndico. As informações são da assessoria do Segundo Tribunal de Justiça de São Paulo, onde ocorrem os depoimentos. O síndico foi a terceira testemunha a ser ouvida na tarde desta quarta, após a dispensa do avô materno de Isabella.

Juliana Simon, do Último Segundo |


Após a declaração do síndico, segundo a assessoria, Anna Jatobá teria se exaltado e dito a Alexandre que gostaria que o filho, que tem apenas 3 anos, seja ouvido como testemunha no caso. "Eu quero que Pietro seja escutado", teria dito a madrasta de Isabella.

De acordo com Antônio, no dia do crime, enquanto assistia televisão, ele estava com a sacada aberta e ouviu um barulho seco. Após o barulho, segundo ele, o interfone tocou, onde Valdomiro da Silva Veloso (porteiro do edifício), teria avisado sobre a queda de Isabella. "Quando vi aquilo foi um choque terrível".

O síndico ressaltou em depoimento, que pouco tempo depois Alexandre desceu transtornado. "Ele estava muito assustado, chegou a colocar o ouvido no peito da menina e viu que ela ainda estava viva". Jatobá, segundo Antônio, também estava nervosa e falava palavrões "muito pesados".

Antônio afirmou que cinco minutos antes da queda de Isabella, ele teria ouvido gritos de "uma criança em desespero" dizendo: "Papai, pára". Segundo o síndico, ele viu Alexandre apenas duas vezes no prédio e não conhecia Anna Jatobá e as crianças.

Avô de uma menina da idade de Isabella, o síndico do  edifício London se emocionou no final de seu depoimento e chorou muito depois que a defesa do casal perguntou a cor da roupa da meninda no dia em que ela foi atirada do prédio.

Vizinhos

Às 19h57, Geralda Afonso Fernandes, moradora de uma casa que fica nos fundos do edifício London iniciou seu depoimento. Ela disse à Justiça que ficou incomodada com os gritos de uma criança na noite do dia 29 de março. Segundo ela, minutos depois ouviu vozes de criança e "uma mulher gritando raivosa". Geralda disse, no entanto, que não saiu na rua após a queda da menina.

Pouco mais de 15 minutos depois foi a vez de Luciana Ferrari, que mora no apartamento de um prédio em frente ao apartamento de Alexandre e Anna Jatobá, ser ouvida.

Ela disse que na noite do crime ouviu uma briga de casal vinda do apartamento. Segundo Luciana, a mulher muito e falava palavrões, enquanto o homem estava mais contido.

"Tenho certeza que a voz é a mesma, os mesmos palavrões e a mesma pronúncia que ouvi depois de atirarem a menina", disse Luciana, referindo-se aos "gritos e palavrões" de Anna Jatobá após a queda de Isabella.

Luciana e o marido, Waldir Rodrigues de Sousa, desceram e encontraram Alexandre na porta do edifício London. "Ele falou que tinha um ladrão de camisa preta e armado", afirmou em seu depoimento. Ela ressaltou ainda que sempre ouvia choros de criança vindos do apartamento do casal durante a madrugada.

Waldir confirmou o depoimento da mulher e disse que teria ouvido Alexandre falar que o apartamento havia sido arrombado.

Policial Militar

Penúltima testemunha a ser ouvida nesta quarta-feira, o policial militar Robson Castro Santos começou seu depoimento às 21h42. O PM disse que encontrou 2 policiais da corregedoria quando chegou ao local.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça, a defesa do casal insistiu muito para que o policial contasse qual sua relação com o também PM Fernando Neves Braz, que fazia parte da patrulha que atendeu a ocorrência e se matou após ser denunciado como membro de uma rede de pedofilia. Santo afirmou que seu relacionamento com Braz era estritamente profissional.

Segundo a assessoria, o PM disse que a varredura no apartamento do casal na noite do crime foi feita por  6 a 8 policiais e que ele teria entregue a chave do apartamento nas mãos de Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, ao deixar o local. Segundo ele, o prédio foi revistado por 20 a 30 policiais, que estariam em busca do suposto assaltante citado por Alexandre.

Ele teria dito à Justiça ainda que o porteiro do prédio disse que não viu nenhum estranho na noite do crime e que nada foi retirado do apartamento do casal durante a varredura da polícia.

A última testemunha, que não teve seu nome divulgado, terminou seu depoimento às 22h44. A assessoria do Tribunal, no entanto, não divulgou o conteúdo das declarações.

No final da sessão, o juiz Maurício Fossen marcou para os dias 2 e 3 de julho os depoimentos de 32 testemunhas de defesa. Segundo a assessoria do TJ, outras 6 testemunhas podem ser convocadas em outrada data a pedido do juiz, caso ele ache necessário ouvir os depoimentos. 

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