Montanhas são o principal patrimônio de Fujiara Por Mônica Nóbrega* Fujaira, 25 (AE) - A historiadora Moza Haji Abaid está sentada do lado de fora do Museu de Fujaira, cercada por jornalistas. Responde com desenvoltura mesmo a perguntas delicadas, como quando questionada se tem ciúme do marido, de quem é a terceira e mais jovem mulher.

"Não. Quando ele não está comigo, sei o motivo."
Guia do museu, Moza, de 32 anos, chamou a atenção por suas mãos, pintadas com flores de rena cosmética para o casamento da irmã, naquela noite. Logo dava declarações contundentes. Disse estar feliz por poder contar "à imprensa ocidental" que "nem todas as muçulmanas são alienadas e submissas".

Ao fundo, o Forte de Fujaira, do século 17, monumento mais importante da cidade, parece contrapor a fala com resquícios de passado. Com 80 mil moradores, Fujaira é a porção menos desenvolvida dos Emirados Árabes. Preserva um clima interiorano e, em muitos trechos, selvagem. Seu principal patrimônio natural são as Montanhas Wadis, que têm fendas e precipícios tão bruscos que chegam a ser chamadas de mini-Grand Canyons pelos guias. Nelas são feitos safáris e trekkings para observação de animais e fósseis.

A cidade, onde começam a despontar os primeiros arranha-céus, tem pouco a ser visto. Os melhores passeios estão na costa - o emirado de Fujaira começa a ganhar fama como destino de mergulho, recifes de corais incluídos, principalmente na região de Dibba, ao norte.

OÁSIS
Perto de Masafi, cidade de onde é extraída a água doce consumida nos Emirados Árabes, fica o oásis de Bithna. Exatamente como os livros infantis ilustram: com tamareiras e grama verdinha em meio a uma paisagem árida.

Sedas iranianas de boa qualidade e tapetes de lã são motivo suficiente para ir até o Friday Market, também perto de Masafi, que, apesar do nome, funciona todos os dias. Há dezenas de lojas e barracas que vendem ainda objetos de decoração e comida. Se não encontrar em nenhum outro lugar a fruta mandarim, uma minimexerica de casca bem lisa, o Friday Market é lugar garantido para prová-la.

Fujaira guarda a menor e mais antiga mesquita dos Emirados Árabes, a de Al Bidiya. Do século 15, tem quatro pequenos domos suportados por um pilar central e é considerada um feito para a engenharia da época. Mas é fechada a não muçulmanos - outra evidência do clima de antigamente da região.

* A repórter viajou a convite da Royal Caribbean

DICAS PRÁTICAS
Mesmo que a tentação seja grande, nunca fotografe uma mulher muçulmana se não tiver autorização - dela mesma ou, na maioria dos casos, do marido ou do pai. Fazer isso é mais que deselegante: pode ser ofensivo de verdade e provocar confusão. Conhecer regrinhas de convivência como essa e algumas dicas práticas (de segurança, táxi, clima e conversões de moedas) tornam os dias de férias nos países árabes mais tranquilos. Anote:

1 - Segurança
O roteiro passa por lugares acostumados aos turistas e outros nem tanto. Embora respeitem as ocidentais, alguns homens árabes podem ter comportamentos inesperados (sim, você pode ser pedida em casamento!). Prefira andar na companhia de um homem.

2 - Clima
O inverno é a alta temporada do Oriente Médio. De janeiro a março as temperaturas são mais amenas, entre 15 e 30 graus Celsius. No verão, os termômetros chegam facilmente aos 40 graus - mas leve um casaco porque há ar condicionado em toda parte.

3 - Dinheiro
Leve em espécie, em dólar (costuma ser aceito), e esteja preparado para as conversões. Emirados Árabes: 1 dirham = US$ 0,35. Omã: 1 ryial = US$ 3. Bahrein: 1 dinar = US$ 2,70. Os valores de câmbio são os informais, praticados no comércio.

4 - Transporte
Os sistemas de táxis mais organizados são os de Abu Dabi e Manama, onde os motoristas são até punidos por não ligar o taxímetro. Em Dubai e Mascate você pode combinar o valor da corrida, mas o taxímetro costuma ser mais vantajoso.

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