MoMA explora relação entre pintura e cinema na obra de Dalí

NOVA YORK, por Elena Moreno ¿ A relação entre pintura e cinema na obra de Salvador Dalí é tema de uma das novas exposições que o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York está prestes a realizar, na qual serão exibidas uma centena de pinturas e documentos sobre a maneira como o artista espanhol via a sétima arte.

EFE |

"Dalí: Pintura e Cinema" é o título que os especialistas do Moma elegeram para uma mostra que estará aberta ao público do dia 29 de junho até 15 de setembro e vai expor o compromisso do mestre do surrealismo com o cinema, uma arte na qual foi roteirista, produtor e diretor artístico.

As salas do museu nova-iorquino acolhem 130 pinturas, desenhos, roteiros, cartas e filmes, nos quais se explora o papel central do cinema no trabalho de Dalí (1904-1989), como fonte de inspiração e como meio de experimentação, conforme explicam os especialistas.

"Dalí tinha muitas faces. Além de ter sido um grande pintor, um grande desenhista e um grande escritor era também um grande pensador, com uma atitude extraordinária em relação à ciência", disse ontem o presidente da Fundação Dalí, Ramón Boixadós, que emprestou algumas das obras mais destacadas do museu de Figueres para esta exposição.

Ele expressou sua satisfação pela realização da mostra, que é uma das maiores já feitas e que, segundo ele, deu um grande prestígio aos realizadores. "Que uma exposição nossa, realizada por nós e desenhada em nossos estúdios esteja no Moma é o máximo que podemos aspirar", disse Boixadós.

Organizada em colaboração com a Fundação Gala-Salvador Dalí e a Tate Modern de Londres, a exposição já esteve na capital britânica, assim como na Califórnia e na Flórida.

A curadora da mostra, Jodi Hauptman, disse que Dalí, "como muitos surrealistas, consideravam que ver filmes na escuridão de um teatro aproximava dos sonhos", embora também tenha ressaltado que para o artista espanhol isso era só mais um aspecto do potencial do cinema.

A mostra inclui alguns dos filmes mais provocadores realizados no início do século passado, e produto da colaboração entre Dalí e o cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983). Os longas-metragens surrealistas "Um cão andaluz" (1929) e "A Idade do Ouro" (1930) podem ser vistos na mostra.

A paixão de Dalí pelo cinema e sua visão cinematográfica da pintura aparece também refletida nesta exposição no espaço dedicado a suas colaborações com Alfred Hitchcock e Walt Disney.

Com Hitchcock colaborou em "Quando fala o coração" (1945), na realização de uma seqüência onírica protagonizada por um atormentado psiquiatra interpretado por Gregory Peck e que é também projetada como parte da exposição.

Com Walt Disney, trabalhou em parceria no curta-metragem "Destino", um desenho animado baseado nas pinturas sobre o tempo do artista espanhol, que reflete o amor entre Cronos, o deus grego do tempo, e uma mulher mortal, cuja produção começou em 1946, e que só estreou em 2003.

A relação de Dalí e Nova York também faz parte da exposição, já que, como explicou Hauptman à Agência Efe, a cidade, "de alguma maneira, ofereceu a ele o melhor cenário urbano".

"Primeiro, como tantos outros imigrantes e visitantes que chegavam à cidade, entendeu Nova York graças a alguns filmes que tinha visto, filmes de gângsteres, obscuros e cheios de violência".

"Nova York se transformou no cenário dos dramas psicológicos que ele queria desenvolver. Acho que havia algo da cidade, a vida andarilha, que encaixou na idéia que ele tinha de Nova York, uma cidade que de alguma maneira foi o perfeito contêiner para seus dramas e seus sonhos", comentou Hauptman..

Além disso, o MoMA completa a mostra sobre Dalí com a exibição dos filmes em que o artista interferiu de alguma maneira, com trabalhos realizados junto com cineastas que vão de Buñuel e Hitchcok a Vincent Minnelli em "O pai da noiva", de 1950, e "Brumas", de Archie Mayo, de 1942.

Junto à iniciativa do museu nova-iorquino, o Centro Catalão da Universidade de Nova York iniciará nas próximas semanas um programa educativo que mostrará o lado mais provocador dos textos do artista espanhol, assim como suas opiniões sobre a arte e a cultura popular.

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