Volta às aulas e a criançada está com as mochilas cheias. Nesse começo de ano, o setor de Ortopedia do Hospital do Coração em São Paulo chega a receber uma média de dez crianças por mês com queixas de dores nos ombros.

"Os problemas mais comuns são as dores musculares e o desvio de postura, os mais graves estão associados à escoliose, o desvio da coluna vertebral", conta Sérgio Xavier, ortopedista do hospital paulista.

Segundo o especialista, a bolsa não deve pesar mais de 10% do peso da criança, mas essa referência merece cuidados com jovens sedentários e obesos. "A criança ativa está mais preparada, porque passa por uma avaliação médica quando participa de atividades físicas na escola. Já a ideia que o jovem obeso 'aguentaria' mais peso está errada", avisa Xavier.

Os pais devem ficar atentos para qualquer reclamação dos filhos. Os tipos de lesões provocadas pelo excesso de peso ou uso inadequado da mochila chegam a 19 e atingem tanto os ombros, região lombar e outras articulações das mãos e braços. Além da incentivar a criança a participar de atividades físicas, o ideal é que um especialista faça o exame antropométrico. "É um exame simples de medição, mas, às vezes, a única oportunidade da criança passar por uma avaliação."

Crescimento

A curva de crescimento não é reta e varia em cada criança, por isso Xavier explica que a fase do "estirão" requer cuidados. "É na pré-puberdade quando os desvios de coluna podem ocorrer. Nos meninos, essa fase acontece entre os 12 anos; nas meninas, entre os dez anos."

A maneira de carregar, erguer ou retirar a mochila também requer cuidados. Se a quantidade de material for bastante e os pais optarem pelas mochilas com rodinhas, a atenção se volta para a altura das alças. "A altura deve ser proporcional para a criança e o peso não pode ser exagerado só porque está sendo puxado". As tiras para a região do tronco também ajudam a dissipar o peso dos ombros, como nas bolsas usadas por mochileiros. "Evitar mochilas com divisórias internas porque a criança pode colocar mais objetos para carregar".

Liliam Raña

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