RIO DE JANEIRO - Uma missa às 11h desta segunda-feira, na capela do Instituto Isabel, na Tijuca, zona norte, marca um ano do espancamento da empregada doméstica Sirley Dias Carvalho Pinto por um grupo de jovens de classe média, no Rio. Na ocasião, eles disseram ter confundido a vítima com uma prostituta.


Na madrugada do dia 23 de junho do ano passado, Sirley foi espancada em um ponto de ônibus da Barra da Tijuca por um grupo de jovens. Eles justificaram o crime alegando ter pensado que a jovem era um prostituta.

Sirley está na terceira renovação do auxílio-doença, benefício concedido pela Previdência Social pela comprovação da incapacidade temporária de trabalho.

Na área civil, a ação de indenização aguarda julgamento de recurso apresentado pelos advogados de defesa em instância superior. Os réus continuam presos.

Entenda o caso

Depois de roubarem e agredirem Sirley a socos e pontapés, os cinco jovens de classe média fugiram levando a bolsa dela, com telefone celular, documentos, carteira e R$ 47. Ela entrou correndo no prédio em que trabalha. Um motorista de táxi que testemunhou o crime anotou a placa do carro dos agressores e avisou ao segurança do edifício onde ela havia entrado.

Sirley tinha saído cedo do trabalho para ir ao médico. Segundo ela, o Gol preto com cinco ocupantes parou a cerca de 100 metros do ponto. "Eu vi que eram filhinhos-de-papai e achei que fossem entrar no prédio em frente. Mas eles vieram em minha direção, arrancaram a bolsa e começaram a me bater e xingar. Xingaram muito", disse.

Ela contou que se abaixou e colocou as mãos no rosto, numa tentativa de se proteger. Ao mesmo tempo, todos os rapazes chutavam sua cabeça. "Ainda estou com muita dor de cabeça". Eles também teriam agredido, com menos violência, outras duas mulheres que estavam no ponto. Essas teriam conseguido fugir entrando em um ônibus.

Com o olho esquerdo roxo e um corte na face, além de hematomas no antebraço que comprovam sua tentativa de se defender, Sirley foi levada pelo patrão ao Hospital Lourenço Jorge, onde foi atendida. Pela placa do carro, policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) chegaram ao dono do carro, o estudante de direito Felipe Macedo Nery Neto, de 20 anos. Ele foi o primeiro a ser preso, confessou o crime e entregou os outros participantes.

Na porta da delegacia, o técnico em informática Sérgio, pai de um dos jovens presos, que não quis revelar o sobrenome nem dizer o nome do filho, disse estar em estado de choque. Segundo ele, os meninos se conheciam porque moravam em condomínios vizinhos e freqüentavam os mesmos lugares no bairro. Na hora do crime, eles voltavam de uma festa rave no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste.

"Como pai eu sou suspeito, mas meu filho estudava e trabalhava, ia e voltava do trabalho comigo, é um garoto bom", desculpou ele, contando que o rapaz afirma que não participou do espancamento, porque estava alcoolizado e sem condições de descer do carro. "Se ele não participou, tenho medo que sua vida fique marcada por esse episódio, mas se espancou essa moça e a Justiça provar isso, então ele vai ter que pagar", disse Sérgio.

É a mesma coisa que a doméstica e sua família querem: "Justiça", pediu ela, que ainda não decidiu se irá processar os agressores por dano moral. "Eu também tenho um filho homem e não quero nada de mal para esses garotos, mas eles têm que ser julgados pelo que cometeram", disse o pedreiro Renato Moreira Carvalho, pai de Sirley, que a acompanhou para prestar depoimento na delegacia.

Leia mais sobre: agressão - latrocínio

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.