Ministro promete conversor a R$ 7 ao mês

Vão me contratar para aquele canal que vende eletrônicos, brincou ontem o ministro das Comunicações, Hélio Costa, durante o lançamento dos conversores de TV digital (também chamado set-top boxes) da taiwanesa Proview, em São Paulo. O ministro chegou a apresentar as características técnicas dos conversores, que custam entre R$ 199 e R$ 299, lembrando um garoto-propaganda.

Agência Estado |

Ele ganhou um equipamento e avisou que iria devolver, porque, como ministro, não poderia aceitar o presente.

Costa prometeu financiamentos em até 48 parcelas e mensalidades a partir de R$ 7 para os conversores. O Ministério das Comunicações negociou as linhas de crédito com o Banco do Brasil (BB) e o Banco Postal. "Incluímos a possibilidade de financiamento do set-top box numa linha chamada BB crediário", explicou Dênis Corrêa, gerente-executivo da Diretoria de Varejo do BB.

Para ter acesso ao financiamento, é preciso ser cliente do banco e ter o cartão Ourocard Visa ou Visa Electron. O cliente tem um crédito pré-aprovado para a compra de eletroeletrônicos, e opta por utilizá-lo no próprio estabelecimento comercial. A parcela mínima do BB é de R$ 10. O conversor de R$ 199 sai por 32 vezes de R$ 10,14. "A linha tem uma taxa muito competitiva, de 2,84% ao mês, e já está disponível", explicou Corrêa. O Banco Postal informou que ainda não tem informações além das anunciadas por Costa.

Os fabricantes de equipamentos têm reclamado das vendas baixas dos conversores de TV digital. As emissoras culpam o preço dos conversores, vendidos por mais de R$ 500, e os fabricantes culpam a pouca cobertura do sinal digital. Por enquanto, as transmissões digitais começaram na Grande São Paulo. No Rio e em Belo Horizonte, a estréia foi parcial, com dois canais em cada cidade.

O ministro acredita que, com o conversor mais barato e as linhas de financiamento, agora vai. Costa disse que está pronta a canalização (definição dos canais que serão usados para a transmissão digital) para a maioria das capitais e para as principais "cidades-pólo" de São Paulo. Ele citou como exemplo Campinas, Taubaté, São José do Rio Preto e Sorocaba. Afirmou ainda que, até o fim do ano, o Brasil terá cerca de 800 mil aparelhos celulares que recebem TV aberta.

O ministro e os radiodifusores, no entanto, são mais reticentes quanto ao mercado de conversores. Alguns falam em 50 mil unidades vendidas. Entre janeiro e maio deste ano foram produzidos 17,5 mil conversores de TV digital aberta na Zona Franca de Manaus. Tseng Ling Yun, presidente da Proview, disse que a empresa e seus concorrentes no Brasil têm hoje a capacidade de produzir 300 mil unidades por mês.

Costa acenou com a possibilidade de o governo federal cortar o PIS e a Cofins dos conversores de TV digital, como fez com os microcomputadores na Lei do Bem. Isso poderia reduzir em 12% o preço do aparelho para o consumidor final. Ele também disse que negocia a diminuição do ICMS com governos estaduais, como Minas Gerais e Rio de Janeiro. "A Bahia já concede esses benefícios e tenho certeza de que o Estado de São Paulo, que tem diante de si uma enorme possibilidade de venda, terá todo o interesse nisso", afirmou Costa. Ele disse que outras duas empresas - Comsat e Nortecom - declararam a intenção de fabricar set-top boxes mais baratos. As informações são do O Estado de S. Paulo

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