Ministro italiano espera que Supremo se aprofunde em caso e extradite Battisti

ROMA - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse esperar que a suspensão da análise do caso de Cesare Battisti permita que os ministros brasileiros do Supremo Tribunal Federal (STF) se aprofundem no assunto e concedam a extradição do italiano.

Ansa |


"É o meu vivo desejo que o aprofundamento do conhecimento dos atos, que motivaram o pedido de suspensão da sessão por parte de um dos juízes, acolha o pedido italiano de extradição, que o governo, as instituições italianas e todas as forças políticas atribuem particular importância", declarou o chanceler, em uma nota.

Nesta quarta-feira, o STF iniciou a análise do pedido de extradição de Battisti feito pela Itália, onde ele foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

Após mais de 11 horas de sessão, o presidente da Casa, Gilmar Mendes, decretou a suspensão do julgamento, atendendo a uma solicitação de vista do processo feita pelo ministro Marco Aurélio Mello.

No momento em que as discussões foram interrompidas, pouco depois das 20h30, quatro ministros haviam votado a favor da extradição de Battisti e três ratificaram a decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-ativista.

Com o pedido de vista, o julgamento deverá ser retomado em uma nova data, que ainda não foi definida. Na nova sessão, todos os ministros poderão revisar seus posicionamentos. Até lá, Battisti seguirá preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Detido no Brasil em 2007, ele foi beneficiado em janeiro com a concessão do status de refugiado político, uma decisão anunciada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que acredita que o italiano pode ser perseguido caso volte ao seu país.

Na nota, Frattini informou que "recebeu com sofisticação" as primeiras notícias sobre o julgamento do pedido, contando ainda que "confia plenamente na Magistratura brasileira", posição já demonstrada ontem pelo primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi.

Também hoje o ministro italiano da Defesa, Ignazio La Russa, afirmou estar convencido de que o Brasil extraditará o ex-militante. "Estamos absolutamente convencidos que um país importante, um país amigo como o Brasil, não pode sequer imaginar negar que a Itália seja um Estado democrático, que a nossa magistratura respeita as normas do Estado de direito e, portanto, deixar de extraditar Battisti".

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