BRASÍLIA (Reuters) - O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) confirmou nesta terça-feira que o governo anunciará até o fim do mês novas medidas para combater os efeitos da crise financeira global. Sem fornecer detalhes, disse que as medidas têm o objetivo de evitar o desemprego e estimular o consumo. Toda vez que uma luz amarela acender, a gente vai ter medidas, assegurou a jornalistas.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está preocupado com o primeiro trimestre e que o governo tomará as medidas necessárias para combater os efeitos da turbulência.

O assunto foi tema da reunião de coordenação política, da qual também participaram, além do presidente Lula e de Múcio, o vice-presidente José Alencar, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral), Franklin Martins (Comunicação Social) e Tarso Genro (Justiça).

Os efeitos já começam a ser sentidos no emprego. Nesta semana, uma das principais fabricantes de veículos do país, a General Motors, anunciou a demissão de 744 empregados temporários da unidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

A GM vinha optando em deixar os empregados em férias coletivas desde outubro, medida também empregada por outras montadoras. A retração na fabricação de veículos foi o principal item para a queda da produção industrial de novembro, assim como o emprego no setor, que sofreu a maior redução em cinco anos.

Na opinião de Múcio, no entanto, enquanto a crise se agrava no mundo, o Brasil dá sinais de que está mais bem preparado para enfrentá-la do que outros países. Mas, assim como o presidente Lula, ele indicou temor quanto ao desempenho econômico deste primeiro trimestre.

"Nossos obstáculos estão no primeiro trimestre. Esses três meses darão o norte de 2009 na economia", disse.

Perguntado se o governo não deveria cobrar dos setores beneficiados pelas medidas uma promessa de que não haverá demissões como contrapartida, o ministro desconversou. Afirmou apenas que, sem as ações do governo, os impactos da crise sobre a economia brasileira seriam ainda maiores.

"As medidas são para minimizar o problema."

É certo que o governo vai lançar um pacote de incentivo para a habitação e a construção civil. Também deve ampliar o crédito às exportações e aumentar os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a indústria e a infraestrutura.

O ministro contou que o presidente se reunirá com prefeitos nos dias 10 e 11 de fevereiro e com governadores para debater formas de ativar a economia. Ainda neste mês os governadores do Norte e do Nordeste poderão ser recebidos por Lula. Na sequência, o presidente se reunirá com governadores de outras regiões.

"Não vamos resolver os problemas se não desenvolvermos parcerias", argumentou Múcio.

(Reportagem de Fernando Exman)

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