Ministro defende passagens para movimentos sociais

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, insinuou que a prática de usar passagens aéreas das cotas da Câmara para viagens particulares e de familiares é generalizada e defendeu o benefício para movimentos sociais. Santos está em Genebra para reuniões na Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência Estado |

Ao escutar um comentário sobre a revelação do uso de passagens pelo deputado Fernando Gabeira, o ministro respondeu: "ele e os outros 513 (deputados)". E comentou: "olha, eu sou deputado".

Santos, que era deputado até fevereiro de 2008 pelo PT do Rio de Janeiro antes de assumir o ministério, não deu uma resposta clara se teria usado o benefício. "Não vou responder a isso. Sou ministro. Não sou deputado", disse. Momentos depois, negou que tenha usado passagens para familiares. "Isso eu nunca fiz" disse. Mas deixou seu recado. "Eu prefiro dizer o seguinte: quando Brasília foi construída, se os parlamentares não tivessem tido passagens para levar seus familiares, o Congresso não estaria em Brasília", disse.

O ministro admite que o debate é "importante". "Isso coíbe excessos do ponto de vista de viagens internacionais. Acho que não justifica ser usado por familiares. Agora, tem um risco de, ao se cuidar do problema, jogar a criança, a água suja e a bacia fora", ponderou.

Santos não acredita que deva haver mudanças em relação ao uso das cotas para passagens destinadas ao movimento social. "Vai ser um erro da Câmara se os deputados não puderem dispor de passagens para o movimento social. É parte do mandato", disse. E lembrou o trabalho dele na questão da moradia e a necessidade de levar militantes para debates em Brasília. "Quando eu voltar (a ser deputado), vou continuar a fazer esse trabalho de luta pela moradia. Entendo que quem trabalha com movimento sindical concorda com isso (uso de passagens)", afirmou.

Ele defendeu uma regulamentação das cotas de passagens. Desde que "preserve o exercício do mandato parlamentar". "Muitas vezes, você vai levar um militante social à Brasília. Nós tivemos casos de movimentos de luta pela moradia em que foi preciso levar para conversar nas reuniões das comissões", disse.

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