Ministro da Justiça diz que Campanha do Desarmamento reduz criminalidade

Durante lançamento de campanha, no Rio, José Eduardo Cardozo se reuniu com parentes de vítimas de massacre em Realengo

iG Rio de Janeiro |

Durante o lançamento da Campanha Nacional do Desarmamento no Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira (6), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que iniciativas como essa têm um impacto direto nas reduções dos índices de criminalidade.

"Os estudos, como o Mapa da Violência, mostram que a realização de campanhas para o recolhimento ou legalização de armas tem impacto direto na redução dos índices de criminalidade, principalmente os de homicídios", afirmou.

Segundo Cardozo, dados oficiais indicam que do total de homicídios por ano no país 80% são cometidos com armas compradas legalmente.

Durante o evento, que contou com a presença também do governador fluminense, Sérgio Cabral, e do prefeito da capital, Eduardo Paes, Cardozo se reuniu com parentes de vítimas do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste da capital, em que 12 estudantes morreram.

Os familiares prometeram entregar ao ministro um documento em que lista uma série de sugestões que possam ajudar a reforçar a segurança das escolas públicas do Estado do Rio e em todo o país.

Entre as reivindicações, está a instalação de detectores de metais na entrada das escolas, o agendamento para entrada de visitas em dias de aulas ou de ex-alunos que precisem retirar documentos aos sábados, quando não há aulas, a utilização de psicólogos para realizar avaliações periódicas de alunos e a colocação de porteiros e seguranças, além de reforço policial nas redondezas das escola, entre outras medidas.

O grupo que se reuniu com o ministro é liderado por Raimundo Nazaré Freitas da Silva, pai de Ana Carolina Pacheco da Silva, uma das 12 crianças assassinadas. Ele disse que está fundando uma associação de familiares e amigos das vítimas chamada de "Associação de Familiares e Amigos dos 12 Anjos de Realengo".

Anonimato trará resultados

O coordenador do programa de controle de armas da ONG Viva Rio, Antônio Rangel Bandeira, afirmou que o fato de a campanha garantir o anonimato completo de quem vai entregar a arma, vai trazer muito mais resultados agora.

"Muita gente acha que só pode entregar armas legalizadas, mas as armas ilegais também podem ser entregues, justamente porque seus donos terão a garantia de que não terão problemas com a Justiça, já que estarão protegidos pelo anonimato total. É a oportunidade das pessoas se desfazerem de um instrumento perigosíssimo. As pesquisas feitas no mundo mostram que a proximidade de uma arma pode causar diversas tragédias. Todo mundo está sujeito a um transtorno de conduta e, num momento de descontrole emocional, tendo uma arma de fogo por perto, pode acabar fazendo uma besteira", disse

A campanha deste ano traz algumas novidades em relação às outras duas que já foram realizadas. Além do anonimato completo para quem entregar a arma, há também a inutilização da arma no ato da entrega, a indenização mais rápida e a ampliação da rede de recolhimento. Essas medidas foram implementadas para facilitar todos os trâmites para quem quiser participar da campanha.

O objetivo da campanha, que reúne órgãos governamentais e várias entidades da sociedade civil em todo o país, é recolher o maior número possível de armas e, assim, aumentar a segurança dos brasileiros. A ação, que se baseia no Estatuto do Desarmamento, será realizada até 31 de dezembro. Nas duas outras campanha, foram recolhidas e destruídas cerca de 500 armnas de vários tipos e calibres.

Quem entregar armas receberá uma indenização, que varia de R$ 100 a R$ 300, dependendo do tipo de arma. O Ministério da Justiça dispõe de uma dotação orçamentária de R$ 10 milhões para a compra dos armamentos.

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