ROMA - O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, afirmou nesta terça-feira que não aceitará a decisão do Brasil de conceder o refúgio político a Cesare Battisti, e acrescentou que o governo de seu país deve tentar todos os caminhos possíveis e imagináveis para conseguir a extradição do ex-ativista.

AP

Battisti preso no Brasil em 2007

"Neste momento, o meu pensamento é dirigido às famílias das pessoas assassinadas por Cesare Battisti, um terrorista que foi condenado à prisão perpétua por crimes enormes e que, apesar de ter sido entregue à Justiça, conseguiu obter do Brasil uma inacreditável concessão de refúgio político", criticou o ministro.

"Eu não me rendo a isto", reiterou La Russa, no dia em que a Itália chamou seu embaixador em Brasília, Michele Valensise, para consultas sobre o assunto.

Battisti, hoje com 54 anos, foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos entre 1978 e 1979, quando era membro da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

No Brasil, o ex-ativista está preso desde 2007. No último dia 13, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu a ele o status de refugiado político.

No dia 17, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, escreveu uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo a revisão da decisão do governo e a consequente extradição de Battisti.

Em outra carta, Lula respondeu que a decisão de Genro foi tomada de acordo com as "sólidas bases jurídicas brasileiras e internacionais".

Na última segunda-feira, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, aconselhou o Supremo Tribunal Federal (STF) a arquivar o processo de extradição de Battisti, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A corte ainda julgará a questão e tomará uma decisão definitiva. A audiência pode ocorrer em fevereiro.

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