BRASÍLIA - Os passageiros que usam transporte de barcos na região do Amazonas devem ser os principais responsáveis pela fiscalização das embarcações, afirmou nesta quarta-feira o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, ao chegar à Câmara dos Deputados para participar de uma audiência pública sobre as metas do ministério para 2008.

Ele disse ainda que já destinou, por meio do Fundo da Marinha Mercante, recursos para recuperação de embarcações no Estado.

"Bastantes recursos foram liberados para a região, mas essa fiscalização tem que ser feita especialmente pelos donos de barco e pelas pessoas que ocupam os barcos", disse.

De acordo com o ministro, a fiscalização das embarcações é feita pela Marinha, mas, como a região é muito vasta, fica difícil fiscalizar todos os rios. "É praticamente impossível colocar fiscalização em todos os rios da Amazônia para supervisionar todo o transporte que é feito, especialmente o de passageiros", explicou.

Quarenta e três corpos resgatados

Homens do Corpo de Bombeiros encontraram, nesta quarta-feira, mais nove corpos de vítimas do naufrágio da embarcação Comandante Sales 2008, que afundou no domingo, no Rio Solimões, no Amazonas. Com isso, subiu para 43 o número de mortos, de acordo com o coronel Antônio Dias.

As buscas não foram interrompidas entre a terça e esta quarta-feira. Na madrugada, o Corpo de Bombeiros trabalhou com cinco equipes de oito pessoas fazendo um arrastão, em um raio de 60 quilômetros, na busca pelos corpos que flutuaram.

O barco já está sendo submetido à perícia, que deve ser somada aos laudos, inspeções e vistorias e encaminhada ao Tribunal Marítimo em até 90 dias, a contar a partir do último domingo, segundo a Capitania dos Portos de Manaus, que conduz a apuração junto com a 1ª Delegacia Regional de Manacapuru.

Promotores do Ministério Público Estadual (MPE) do Amazonas anunciaram que acompanharão as investigações das causas. Um dos representantes da comissão, promotor Agnaldo Concy, lamentou a falta de dados precisos sobre o número de passageiros do barco. "Até o momento, o único número que dispomos é o de vítimas registradas pelo IML."

Concy disse que os dados "são importantíssimos" para ajudar as famílias das vítimas a requererem indenização dos proprietários do barco. Um deles, Francisco Sales, morreu no acidente. Segundo o MPE, os bens de Sales podem ser bloqueados pela Justiça e repassados às famílias. Estima-se que 80 a 100 pessoas estivessem na embarcação.

Dos corpos achados na terça, dois foram encontrados flutuando no encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, a pelo menos 30 quilômetros do local do acidente. As equipes de resgate trabalham num raio de 60 quilômetros à procura de outras vítimas.

"Os corpos estão começando a boiar", afirmou o prefeito de Manacapuru, Washington Régis, cidade onde residiam todas as vítimas do naufrágio.

Estimativas

Washington Régis afirmou na terça-feira que o número de mortos no naufrágio do barco Comandante Sales 2008 pode passar de 50. De acordo com Régis, após o cruzamento de dados colhidos pelo serviço social da prefeitura com informações da Polícia Civil, chegou-se à conclusão que ainda há pelo menos 20 desaparecidos.

O acidente

O acidente com o barco Comandante Sales ocorreu por volta de 5h30 da manhã de domingo. Os passageiros da embarcação retornavam de uma festa realizada na comunidade "Pesqueiro", em frente à cidade de Manacapuru, do outro lado do rio Solimões.

O Corpo de Bombeiros informou ainda que 15 mergulhadores e mais 40 homens da corporação participaram do primeiro dia da operação de resgate das vítimas. Pelas condições do rio, o trabalho pode durar mais dois dias, de acordo com o sargento Marimar.

'O rio é largo e turvo, o que dificulta as operações, que podem se estender por mais dois ou três dias pelo menos', disse.


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"O barco estava vindo de uma comunidade do interior com destino a Manacapuru. Em certas épocas, eles vão ao interior para as festas, e na hora de voltar se amontoam todos em qualquer barco que aparece, que costumam não registrar as pessoas que entram", afirmou à Reuters por telefone o sargento Marimar.

Esse é o segundo naufrágio em rios amazônicos neste ano. Em fevereiro, a embarcação Almirante Monteiro  afundou após o choque com a balsa Carlos Eduardo, que transportava combustíveis e se deslocava para o município de Itacoatiara, a cerca de 170 quilômetros de Manaus.

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