Ministérios das Comunicações espera resposta do sindicato dos Correios para encerrar greve

SÃO PAULO - O Ministério das Comunicações espera para esta quarta-feira uma resposta dos trabalhadores dos Correios, em greve desde ontem, para a proposta feita a fim de encerrar a paralisação.

Redação com agências |

A proposta feita pelo ministério consiste em dar o abono salarial, o que os grevistas chamam de adicional de periculosidade, por mais 90 dias, até que uma decisão definitiva seja tomada. Os grevistas reivindicam, entre outras coisas, que o abono, cerca de 30% do salário, seja incorporado definitivamente.

O sindicato alega que não recebeu a proposta oficialmente, mas disse que se a informação for verdadeira irá analisar. 

Dados conflitantes

Segundo a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), a paralisação atinge dezoito Estados brasileiros, de acordo com um balanço da empresa, e os Estados com maior adesão seriam São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, onde 70% dos trabalhadores aderiram à greve.

Agência Brasil
Funcionários fazem manifestação em Brasília
Diferente da empresa, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos de SP (Sintect-SP) contabiliza a adesão de funcionários de 23 Estados e do Distrito Federal. Segundo Vágner Nascimento, Diretor Financeiro do sindicato, a adesão foi de aproximadamente 70% dos trabalhadores. A assessoria dos Correios nega a informação e fala em cerca de 21%.  

Ainda segundo o diretor, com excessão de Espírito Santo, Roraima, Piauí e Minas Gerais, todos os Estados aderiram.

De acordo com o secretário-geral da Federação Nacional em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Manoel Cantoara, a expectativa é de que o movimento cresça ainda mais. Para ele, o nível de insatisfação com relação ao não-cumprimento de acordo feito com o Ministério das Comunicações sobre um adicional de periculosidade deixou muita gente indignada.

Reivindicações

Os funcionários reivindicam um adicional de periculosidade equivalente a 30% do salário por mês, aumento no percentual da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e a implementação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

Iremos em passeata até o Ministério das Comunicações para cobrar do ministro Hélio Costa o acordo assinado por ele, o presidente dos Correios e o presidente Lula, que se comprometeram a atender essas reivindicações, anunciou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Distrito Federal, Moisés Leme. Ele comentou ainda que "o ministro tem reconhecido as distorções salariais, mas de nada adianta ele reconhecer se não tem autoridade para fazer executar o que foi prometido.

O abono de risco, ou adicional de periculosidade, é a principal reivindicação dos grevistas. Temos colegas com câncer de pele, por trabalhar no sol, colegas que perderam o dedo por mordidas de cães e com problemas de coluna por causa da bolsa pesada, sem contar os assaltos porque carregamos valores, cartões de crédito, talões de cheques, contou Silvio Costa, carteiro há 27 anos. Ele disse ganhar menos de R$ 2 mil por mês e que o PLR foi de R$ 300, enquanto teve diretor da empresa que ganhou R$ 50 mil de PLR.

A mesma reclamação foi feita por Joatan Osias, que ficou cerca de cinco anos afastado do trabalho por problemas na coluna. Eu andava 475 quadras por semana. É quase desumano, disse.

Serviços afetados

Segundo a assessoria de imprensa da presidência dos Correios, os únicos serviços afetados até agora foram Sedex 10, Sedex Hoje e Dique-coleta. A distribuição de cartas continua ativa graças a um plano de emergência.

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