Ministério quer liberar adolescente a doar sangue

Proposta de ampliação da faixa etária de doadores inclui menores de 18 e maiores de 65 anos; mudança ampliaria em 78% a captação

Fernanda Aranda. iG São Paulo |

O Ministério da Saúde quer alterar a política de doação de sangue nacional e ampliar a faixa etária dos possíveis doadores.

O iG teve acesso à proposta de portaria enviada para consulta pública nesta quarta-feira (2/6) na qual jovens entre 16 e 17 anos poderão doar mediante autorização dos pais. Além dos mais novos, o governo federal também propõe que idosos entre 65 e 68 sejam aceitos nos hemocentros do País. Atualmente, o grupo etário autorizado a doar é entre 18 e 65 anos.

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Para garantir a segurança do recptor, hemocentros aplicam questionários minuciosos antes da doação de sangue
A sugestão de alteração segue tendências internacionais, já vigentes nos Estados Unidos e na Europa, diz o Ministério. A possibilidade de aceitar doadores mais novos é para aproveitar o potencial voluntário desta faixa etária. Já com os mais velhos é uma resposta ao aumento da expectativa de vida.

Antes de entrar em vigor, o conjunto de propostas pode receber contribuições da sociedade e também do meio científico. As normas que regulam a doação ficarão em consulta pública por 60 dias. Vencido este prazo, uma comissão escolhida pelo Ministério fará o texto final da portaria que regula as atividades dos bancos de sangue nacionais.

Doações escassas

A estratégia de estender a faixa etária de doadores de sangue tem como objetivo corrigir a atual deficiência no abastecimento dos bancos do País. Segundo informações do Ministério da Saúde, 1,8% da população brasileira tem por hábito fazer a doação. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza como número ideal entre 1% e 3%.

A meta do governo com a ampliação da faixa etária dos doadores é conseguir coletar 5,7 milhões de bolsas de sangue por ano, quantidade definida pela OMS como ideal para um país como o Brasil. Atualmente, os bancos de sangue nacionais só conseguem coletar 3,2 milhões de bolsas por ano, índice 78,1% inferior ao necessário.

Os bancos de sangue sofrem com a falta de doação e sempre organizam campanhas para sensibilizar a população. Nas épocas mais frias do ano, os já escassos doadores diminuem em média 30%, de acordo com o Hemocentro do Rio Grande do Sul. Em véspera de feriados, a situação de abastecimento sempre fica mais crítica.

O sangue doado é a principal forma de salvar a vida de pessoas acidentadas no trânsito, vítimas de violência ou pacientes submetidos a grandes cirurgias, em que há necessidade de transfusão. Pacientes de câncer também são grandes beneficiados pela doação – o sangue é usado em todas as fases do tratamento, da quimioterapia à cirurgia.

“Em hospital geral, cerca de 10% dos pacientes internados precisam de sangue. Em hospital oncológico, essa necessidade chega a 35%”, explica a hematologista Márcia Novaretti, coordenadora do Serviço de Hemoterapia do ICESP.

Segurança

Atualmente, o processo de doação de sangue é seguro e o risco de transmissão de doença é quase nulo no processo, afirma o diretor médico do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês, assessor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Segurança do Sangue, Silvano Wendel. Ele diz que todo material colhido passa por minucioso teste e que grupos de vigilância internacional acompanham a segurança do processo.

“Atualmente, por exemplo, estamos acompanhando a probabilidade da dengue ser transmitida por meio da transfusão. Até agora não encontramos nenhuma evidência desta possibilidade, mas o acompanhamento é constante”, afirma.

Para doar sangue, atualmente, é preciso ter mais de 18 anos, mais de 50 quilos, não ter nenhuma doença grave. Não são aceitos também pessoas que fizeram transfusão, tatuagem, sexo desprotegido, profissionais do sexo e homens que fizeram sexo com homens no último ano.

A última vez que portaria que regula a doação de sangue no País foi revista havia sido no ano de 2004.

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