Ministério Público vai rever processos sob suspeita de fraude na Polícia

SÃO PAULO - A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) vão rever todos os processos administrativos (PAs) ¿fraudulentos¿ ou cujos policiais são acusados de ¿comprar¿ as sentenças para serem absolvidos ou reintegrados à Polícia. Cinco inquéritos foram instaurados para apurar as denúncias, entre elas a de compra de cargos na Polícia Civil.

Agência Estado |

O diretor-geral do órgão, Alberto Angerami, disse nesta quarta que vai convocar para depor o advogado Celso Augusto Hentscholer Valente e seu sócio, Lauro Malheiros Neto, ex-secretário adjunto da Segurança Pública. Admitiu ser possível até chamar o secretário Ronaldo Marzagão para depor. E avisou: eu não me submeto a pressões.

Malheiros Neto e Valente deverão dar explicações sobre as denúncias de que comandavam um esquema de corrupção que agia no gabinete da Secretaria da Segurança Pública e sobre o vídeo divulgado na edição desta quarta-feira pelo jornal "O Estado de S. Paulo", no qual Valente supostamente vende cargos importantes na polícia e cobraria propina de policiais corruptos para absolvê-los em PAs.

Malheiros Neto era secretário adjunto e Valente, seu primo, cuidava do escritório de advocacia que dividiam antes da nomeação do primeiro para o cargo.

Malheiros Neto saiu da secretaria em maio de 2008, em meio às denúncias de que havia beneficiado o investigador Augusto Pena, preso sob a acusação de achacar líderes do Primeiro Comando da Capital.

Em 4 de fevereiro, Pena fez a delação premiada. Acusou Valente e o primo de comandarem um esquema de arrecadação de dinheiro de bingos, venda de cargos e sentenças de PAs. Correndo risco de morrer no presídio da Polícia Civil, Pena foi transferido para outra prisão.

Ao ser questionado na quarta-feira sobre como se sentia ao ver que seu nome havia sido usado na suposta negociata (no vídeo, Valente diz a seu interlocutor que ninguém tinha ideia do conceito que o Laurinho tinha com o governador), José Serra abandonou a entrevista coletiva.

Marzagão se dirigiu aos jornalistas dizendo que o assunto é comigo, não com ele. Tudo o que é objeto da delação será verificado; serão ouvidas inclusive as pessoas que supostamente teriam pago (propina), afirmou Marzagão. Sobre Malheiros Neto, declarou: Nunca soube nada a respeito dele e, portanto, vamos aguardar o que mostram os fatos.

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