SÃO PAULO ¿ O Ministério Público do Estado de São Paulo emitiu uma nota nesta segunda-feira para rebater algumas informações divulgadas no domingo pela Rede Record de Televisão no programa jornalístico ¿Repórter Record¿. A atração dominical mostrou uma entrevista com o bispo Edir Macedo na qual ele se defendia da denúncia feita pela MP-SP, acatada pela Justiça, que o acusa de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro junto com outras nove pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus.

De acordo com o Ministério Público, a denúncia feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) se deu com base nos fatos e provas que constam do inquérito instaurado, tendo sido recebida pelo juiz Gláucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal de São Paulo. O MP esclarece que a distribuição da denúncia foi feita de acordo com os trâmites legais, ou seja, por meio de procedimento eletrônico adotado pelo Tribunal de Justiça.

Ainda sobre o teor do programa Repórter Record, o Ministério Público informa que a juíza Patrícia Alvarez Cruz, citada na reportagem, nunca atuou no processo criminal em questão. Já sobre os questionamentos a cerca da atuação do Gaeco, a nota do MP afirma que a Procuradoria-Geral de Justiça deposita irrestrita confiança no trabalho do grupo e de todos os seus integrantes.

O comunicado do MP também relata que o depoimento de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, exibido pela Rede Globo de Televisão e citado no programa dominical, foi colhido pelo promotor de Justiça Roberto Teixeira Pinto Porto e por outro membro do MP. O processo foi apurado em procedimento próprio pela Procuradoria-Geral de Justiça, em 2004.

Segundo o Ministério Público, o órgão continuará exercendo seu papel constitucional, sempre respeitando o devido processo legal, e em hipótese alguma se deixará intimidar em razão de distorções dos fatos e insinuações perpetradas por quem quer que seja.

A denúncia

De acordo com o MP-SP, o bispo Macedo e as outras nove pessoas são acusados de integrarem um esquema envolvendo empresas de fachada, que remetia ao exterior dinheiro obtido com doações de fiéis.

AE

Bispo Edir Macedo é alvo de denúncia do MP

Esse dinheiro, depositado em paraísos fiscais, voltava ao Brasil em forma de contratos de mútuo utilizados para a aquisição de empresas.

A acusação formal foi oferecida no último dia 5 pelo MP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - Núcleo São Paulo, e recebida pelo juiz da 9ª Vara Criminal da Capital.

Além de Edir Macedo, foram denunciados Alba Maria da Costa, Edilson da Conceição Gonzales, Honorilton Gonçalves da Costa, Jerônimo Alves Ferreira, João Batista Ramos da Silva, João Luís Dutra Leite, Maurício Albuquerque e Silva, Osvaldo Scriorilli e Veríssimo de Jesus.

De acordo com a denúncia, Edir Macedo e os demais acusados há cerca de 10 anos vêm se utilizando da igreja para a prática de fraudes. Durante as investigações, os promotores conseguiram localizar milhares de depósitos em dinheiro em favor da Igreja Universal. Somente no período entre março de 2003 a março de 2008, esses depósitos somaram R$ 3,9 bilhões, de acordo com o MP-SP.

Levantamento feito pelo MP e pela Polícia Civil, com base em dados bancários e fiscais obtidos judicialmente, mostra que a Igreja Universal movimenta cerca de R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil, dinheiro arrecadado por meio do pagamento de dízimo por seus milhares de fiéis espalhados por 4.500 templos, instalados em 1.500 cidades do País.

Dízimo

Na denúncia, o MP-SP destaca que Edir Macedo e outros bispos destinavam grande parte de sua pregação para a coleta do dízimo, enfatizando a necessidade de a igreja angariar recursos para a compra de óleos santos de Israel, o financiamento de novos templos e o pagamento de pregações nas rádios e TVs. A Universal aceitava cheques, carros e outros bens como doação.

Ainda segundo a denúncia, Edir Macedo e os outros denunciados se aproveitaram da imunidade tributária estabelecida pela Constituição para templos religiosos e passaram a utilizar a Igreja Universal para benefício próprio, captando os valores dos dízimos, ofertas e contribuições dos fiéis, investindo em bens particulares, como imóveis, veículos ou joias.

Para os promotores, ficou comprovado que o dinheiro das doações, em vez de ser utilizado para a manutenção dos cultos, era desviado para atender a interesses particulares dos denunciados.

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