BRASÍLIA - O Ministério Público Federal deu prazo de dez dias para que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) expliquem em detalhes o projeto da Praça da Soberania, a ser construída na Esplanada dos Ministérios, um local proibido para edificações pelo decreto de tombamento da cidade.

Anunciado com estardalhaço pelo governo local, o projeto, desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, construtor da cidade, prevê, além da praça, obelisco triangular de cem metros de altura, o mais alto de Brasília, e um estacionamento subterrâneo para 3 mil veículos.

A obra vem sendo duramente criticada por arquitetos, insatisfeitos com a exclusividade de Niemeyer nas obras de Brasília e por segmentos da cidade, que temem a introdução de obstáculo visual num dos principais cartões postais da cidade, o Congresso Nacional. Caso as explicações não sejam convincentes, o MP pretende pedir o embargo da obra. O prazo começa a contar a partir da entrega do ofício às partes, possivelmente ainda esta semana.

'Trincheira'

A polêmica em torno da Praça da Soberania colocou o arquiteto Oscar Niemeyer numa trincheira - e a expressão é dele próprio. Cercado por amigos arquitetos, alguns deles ex-presidentes do Iphan, Niemeyer está reunindo artigos e pareceres de advogados favoráveis à construção da praça. "Sou obrigado a defender o meu trabalho. E vou defender. Eu me sinto muito apoiado pelos meus amigos. De modo que vou continuar. Estou numa trincheira e não abro mão. Sou um arquiteto, com um trabalho feito, disse ontem. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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