Ministério Público pede prisão de suspeitos de explorar travestis em Copacabana

O Ministério Público (MP) do Estado do Rio de Janeiro fez, nesta sexta-feira, um pedido de prisão preventiva contra seis suspeitos de integrar uma quadrilha que explorava sexualmente travestis em Copacabana. O MP acusa o grupo de rufianismo, tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual e submissão de criança ou adolescente à prática da exploração sexual.

Redação |

Cinco integrantes da suposta quadrilha foram presos temporariamente no dia 8 durante a operação "Babilônia II", mas o prazo da prisão termina neste sábado (12/09).

De acordo com o MP, a quadrilha operava desde agosto de 2002 e tinha total controle de toda a prostituição feita por travestis em Copacabana, exigindo, mediante graves ameaças, o pagamento de R$ 50 a R$ 150 por semana, em troca da "autorização" para se prostituir em via pública no bairro. No caso de descumprimento das regras impostas, cobravam-se "multas" de R$ 500 a R$ 1.000. O MP afirma que o dinheiro era recolhido pelos denunciados Leonardo Silva Costa, o "Graciele", Rafael de Almeida, o "Rafaela", e Eliane da Silva, a "Lia".

A denúncia apresentada nesta sexta-feira acrescenta ao rol de suspeitos o nome de Maria Pimentel de Oliveira, conhecida como "Pimentel", cuja ligação com a quadrilha foi descoberta após a prisão dos demais acusados. "Pimentel", que já controlava uma parte dos pontos de prostituição de travestis compreendidos entre a antiga boate Help e a Praça do Lido, está em liberdade e vem assumindo os pontos antes explorados pelos chefes da quadrilha, identificados como Ulisses Menezes da Motta, o "Iarley", e Cláudio dos Santos Magalhães, o "Boró". Ambos estavam em liberdade condicional.

De acordo com o MP, Pimentel atuava com "autorização" de Ulisses e Cláudio e cobrava valores diferenciados - por volta de R$ 30 por dia ou R$ 420 por semana. O grupo explorava entre 60 e 120 travestis, dependendo da época do ano. Entre as vítimas da exploração sexual havia vários adolescentes, um deles com 13 anos de idade. Os três denunciados traziam travestis também de Minas Gerais e São Paulo. Eles eram alojados em um apartamento na Avenida Princesa Isabel e tinham de pagar entre R$ 10 e R$ 30 pelas "vagas".

Os crimes praticados por esse grupo criminoso são graves na medida em que impõem terror no bairro de Copacabana, visto serem conhecidos, os dois primeiros em especial (Ulisses e Cláudio), por sua violência e brutalidade, tendo inclusive graves antecedentes criminais, afirma, na denúncia, a Promotora Ana Lúcia Melo.

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