Ministério Público pede indenização de R$ 500 mil e pena máxima contra Hildebrando

O Ministério Público pediu a pena máxima por homicídio triplamente qualificado - 30 anos de prisão - para o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal e uma indenização de R$ 500 mil paga por ele à família da vítima, o mecânico Agilson Firmino dos Santos, que foi torturado e teve o corpo cortado com o uso de uma motoserra, em setembro de 1996. O julgamento entrou no seu terceiro dia nesta quarta-feira em Rio Branco, no Acre.

Redação com Agência Estado |


O debate entre acusação e defesa começou às 8h com a apresentação dos argumentos da acusação. Neste momento, a defesa apresenta seu parecer. Em seguida, a acusação pode pedir réplica e a defesa, tréplica. Após isso, os juízes apresentam a sentença. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Acre acredita que o julgamento deva se estender até a madrugada de hoje e que possa, inclusive, ser retomado nesta quinta-feira.

Tribunal de Justiça de Goiás
O promotor do Ministério Público Álvaro Pereira durante julgamento

A denúncia sustenta que o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal sequestrou, torturou e matou brutalmente o mecânico Agilson Firmino dos Santos, conhecido como Baiano, entre os dias 1 e 2 de julho de 1996. O crime seria uma vingança contra a morte do irmão do acusado, Itamar Pascoal. Além de Hildebrando, estão sendo julgados Adão Libório de Albuquerque, primo do ex-parlamentar, e o ex-sargento Alex Fernandes Barros.

O Ministério Público Estadual pede pena máxima por homicídio triplamente qualificado. Além de ser morta com vários tiros na cabeça, a vítima teve pernas, braços e pênis mutilados com emprego de motosserra e terçado (facão), além de ter os olhos furados e um prego enfiado na cabeça. "Laudo confirma a morte por múltiplos instrumentos, terçado, motosserra", afirmou o promotor na abertura da acusação.

O acusado já está condenado a 88 anos de cadeia por conta de outros crimes, entre eles dois assassinatos de testemunhas de acusação contra ele, mas, pela lei, Hildebrando ele só pode cumprir no máximo 30 anos.

A Promotoria tenta demonstrar que a tese da defesa de Hildebrando de desqualificar os depoimentos de testemunhas, entre eles, muitos criminosos condenados na Justiça por outros crimes, "não anula o bárbaro crime cometido". E que as provas anexadas aos autos provam que a morte foi uma vingança, porque Baiano estava junto com José Hugo no dia 31 de junho, quando este matou com um tiro na nuca o irmão de Hildebrando. A defesa do acusado afirma que Hidelbrando não cometeu os crimes.  

Terça-feira

Na tarde de terça-feira, os jurados assistiram ao interrogatório de Hildebrando e dos outros acusados Adão Libório e Alex Fernandes, que se declararam inocentes no crime.

Divulgação
Hildebrando (à direita) com os outros acusados no banco dos réus

Hildebrando Pascoal se diz perseguido. "Sou um preso político", afirmou e atribui a suposta perseguição ao desembargador Jercino Pacheco Nunes, ao procurador Luiz Francisco de Souza e ao ex-governador Jorge Viana.

Segundo o ex-deputado, o autor do crime foi Alípio Ferreira, que está morto. O policial e ex-vereador, dono do galpão onde a vítima foi assassinada, era pessoa de confiança do ex-parlamentar.

O acusado voltou a adotar a estratégia de tentar desqualificar seus acusadores. "Eu tinha interesse no 'Baiano' vivo para saber onde estava o assassino do meu irmão", afirmou, referindo-se a José Hugo, o Mordido, que disparou contra Itamar Pascoal.

Hildebrando nega crime da motosserra

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