Ministério Público instaura inquérito criminal contra Igreja Renascer

SÃO PAULO - O Ministério Público (MP) anunciou nesta segunda-feira a abertura de um inquérito criminal para apurar as responsabilidades sobre o desabamento ocorrido no último domingo na Igreja Renascer, na zona sul da capital. O acidente ocorreu por volta das 19h e deixou nove mortos e mais de 100 feridos.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |


Segundo o promotor Ricardo Antonio Andreucci, assim que os bombeiros liberarem o local, será realizado o laudo do Instituto de Criminalística. A nossa linha é a de apurar os homicídios culposos, lesões culposas, periclitação da vida e crimes de desabamento, disse.

De acordo com o MP, o imóvel estava com o alvará de funcionamento em dia, assim como afirma a Igreja Renascer. A licença foi obtida no dia 15 de julho de 2008 e tem validade até a mesma data de 2009. A promotora Mabel Tacundura explicou que em 1998, o templo passou por uma reforma no telhado. As obras foram atestadas por um engenheiro da própria igreja e um do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Em 1998, a situação do telhado era desastrosa. O IPT pediu para trocar todas as tesouras ou remover o  telhado. Isso foi feito, disse.

A promotora acrescentou que a tragédia foi uma absoluta surpresa. É um teto de 10, 11 anos, que não poderia ser ruído, é inaceitável. Não se todas as obras foram feitas, afirmou.

Agora o Ministério Público irá ouvir também os engenheiros que assinaram os laudos da reforma para saber se houve um desgaste natural do telhado, ou se o acidente foi fruto de uma reforma mal-feita.

Funcionamento sem alvará


Apesar de estar como documentação em dia, o Ministério Público descobriu que o templo funcionou por pelo menos dois anos sem alvará. A descoberta foi feita em 2008, após denúncia de vizinhos contra o barulho e o trânsito na região.

O funcionamento, mesmo sem o alvará, configura uma falta administrativa da prefeitura de São Paulo. A prefeitura é responsável ela segurança e o MP toma providências quando chega a denúncia, disse a promotora Mabel, explicando que o ministério realizará um procedimento preventivo para saber como está a situação legal dos outros templos da Renascer.

A investigação, conforme Ricardo Andreucci disse, não tem prazo para ser concluída e não é possível incriminar uma instituição, mas apenas uma pessoa física.

Todos os envolvidos serão ouvidos e os documentos analisados do ponto de vista material e ideológico. Vamos ver também quem era responsável por esse templo e pela manutenção, disse.

Veja o vídeo: Igreja afirma que documentação em dia



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