Ministério Público Federal em SP denuncia Dantas e mais 13 por crimes financeiros

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia na sexta-feira (3/7) contra o controlador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, e mais treze pessoas por lavagem de dinheiro e outros três crimes. Os supostos crimes indicam contrato com uma empresa de publicidade vinculada a Marcos Valério, o operador do mensalão, no valor de cerca de R$ 50 milhões, de acordo com o MPF, em entrevista nesta segunda-feira.

Bruno Rico, repórter do Último Segundo |

A denúncia aponta gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira, evasão de divisas, crime de quadrilha e organização criminosa e lavagem de dinheiro. A acusação é pautada pelo inquérito produzido a partir da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

AE
Daniel Dantas deixa a sede da Superintendência da Polícia Federal em abril
O procurador da República Rodrigo de Grandis detalha, na denúncia, sete diferentes fatos criminosos praticados ao longo dos últimos 10 anos.

Para o MPF, as investigações da operação Satiagraha constataram que Dantas, Dório Fernan e a irmã do banqueiro, Verônica Dantas, constituíram "um verdadeiro grupo criminoso empresarial cuja característica mais marcante foi transpor métodos empresariais para perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos".

A nova denúncia não deve encerrar as investigações da Operação Satiagraha, e o MPF pediu ainda a abertura de três novos inquéritos, um deles para aprofundar a participação de pessoas investigadas, mas ainda não denunciadas, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, e Carlos Rodenburg, que comandaria o braço agropecuário do grupo.

Um segundo inquérito seria aberto para investigar evasões de divisas praticadas por cotistas brasileiros do Opportunitty Fund. O procurador da República Rodrigo De Grandis não revelou se algum pedido de prisão foi feito.

O MPF convocou 20 testemunhas para depor, entre as quais, o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, que foi trustee do grupo Opportunity nos EUA, e o presidente da Santos-Brasil, Wady Jasmim.

O MPF investiga ainda se houve eventual omissão de órgão público nos crimes. Rodrigo De Grandis afirma que o grupo Opportunity "tentou aproximação com o governo para realizar suas ações".

Para o crime de lavagem de dinheiro, a Justiça prevê penas de três e 10 anos de prisão; para evasão divisas, de dois a seis; gestão fraudulenta de instituição financeira, três a 12; formação de quadrilha, um a três, e gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira, dois a oito anos.

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