Ministério Público diz que grampo no RS pode ser legal

As escutas que o ex-ouvidor de Segurança do Rio Grande do Sul Adão Paiani apresentou à Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) como irregulares podem ter sido feitas com autorização da Justiça, segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, que abriu um expediente para investigar o caso. A convicção nasceu de uma correspondência enviada pelo promotor de Justiça de Lajeado, Pedro Rui da Fontoura Porto, ao subprocurador-geral da Justiça para Assuntos Internacionais, Eduardo de Lima Veiga, na tarde de hoje.

Agência Estado |

No texto, Porto informa que Paiani foi ao seu gabinete na quinta-feira, dois dias depois de ter sido exonerado, apresentou-se ainda como ouvidor e solicitou os áudios de uma investigação do ano passado, de atividades do vereador Márcio Klaus, caçado posteriormente. "Achando que ainda estava tratando com uma autoridade do Estado, o promotor entregou ao ex-ouvidor alguns áudios que acreditamos que sejam aqueles que afirma ter obtido mediante vazamento", relatou Veiga, em entrevista coletiva.

Quando entregou o CD com seis gravações à OAB-RS, na sexta-feira, Paiani não identificou a origem do material e nem revelou detalhes do conteúdo. Ele disse apenas que pessoas com acesso ao Sistema Guardião, que faz as escutas autorizadas pela Justiça, utilizam o equipamento também para espionagem ilegal. Paiani sustentou, ainda, que as conversas gravadas revelariam tráfico de influências praticado por pessoa próxima ao gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB).

Conselheiros da OAB analisaram os diálogos e entenderam que não havia indícios de tráfico de influência. Mostrando-se surpreso, Paiani chegou a qualificar a manifestação do Ministério Público como "manobra para desqualificar" sua denúncia e para forçá-lo a revelar sua fonte, algo que promete não fazer. O ex-ouvidor nega que tenha estado com o promotor de Lajeado na quinta-feira e que tenha recebido as gravações de Porto.

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