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Ministério Público deve pensar na biografia de investigados, diz Lula

Em meio a novas denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou o novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o Ministério Público (MP) deve ter responsabilidade e pensar na biografia dos investigados.

Redação com agências |

AE
Lula cumprimenta Gurgel

Lula cumprimenta Gurgel durante posse

"A única coisa que eu peço é que o Ministério Público tenha o direito e a obrigação de agir com o máximo de seriedade, não pensando apenas na biografia de quem está investigando, mas na biografia de quem também está sendo investigado", afirmou Lula, sem citar nomes ou fatos.

"No Brasil, às vezes, a pessoa é condenada antes, dependendo da carga da manchete da imprensa", disse. Não pode ter nada pior do que um procurador, um político procurar fazer da sua atividade profissional um show de pirotecnia antes de ter o processo final apurado, indiciado e julgado, destacou.

Lula fez a declaração durante a posse de Gurgel no cargo nesta quarta-feira. Ele ainda lembrou que o Ministério Público ganhou amplos poderes na Constituição de 1988, mas alertou para o fato de que isso pode mudar por ação do Congresso Nacional.

"Nós sabemos que a mudança nunca será por mais liberdade, mas por mais 'castramento'", disse Lula, numa referência à proposta de emenda à Constituição (PEC), chamada de "Lei da Mordaça", que responsabiliza os promotores que moverem ações consideradas temerárias.

Nesta quarta-feira, o jornal " O Estado de S. Paulo" publicou uma sequencia de diálogos gravados pela Polícia Federal (PF) na Operação Boi Barrica que revela a prática de nepotismo explícito pela família Sarney no Senado e amarra o presidente da Casa ao ex-diretor-geral Agaciel Maia na prestação de favores concedidos por meio de atos secretos.

Perfil

Nascido em Fortaleza, Gurgel formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atuou como advogado no Rio de Janeiro e em Brasília, antes de ingressar no Ministério Público, em 1982, por concurso público. Especialista na área criminal, ele presidiu a ANPR entre 1987 e 1989.

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