Ministério Público denuncia Marcos Valério e mais sete por exploração de prestígio

O Ministério Público Federal em Santos ofereceu denúncia nesta terça-feira contra o publicitário Marcos Valério, o empresário Walter Faria, o juiz aposentado José Ricardo Tremura e mais outros cinco investigados na Operação Avalanche, por exploração de prestígio durante ação que envolve a Cervejaria Petrópolis. Procurada pela reportagem do Último Segundo às 18h30, a assessoria da empresa já havia encerrado o expediente.

Redação |

OBrito News
Marcos Valério
De acordo com o Ministério Público Federal, Marcos Valério e seu sócio, Rogério Tolentino, os advogados mineiros Ildeu Pereira e Eloá Velloso contactaram os policiais federais aposentados Paulo Endo e Daniel Balde para influenciar no andamento de uma ação milionária de interesse da Cervejaria Petrópolis, em trâmite no Fórum de Boituva, em São Paulo.

Segundo a denúncia, Endo e Balde, que atuam em Santos, contrataram os serviços do juiz aposentado José Ricardo Tremura, ex-diretor do Fórum da cidade, que se dispôs a atuar no sentido de influir sobre os juízes responsáveis pela causa, em benefício da Cervejaria Petrópolis, valendo-se de sua condição de juiz aposentado, e solicitando dinheiro do grupo interessado.

O Ministério Público Federal em Santos afirma que não há indícios de que Tremura e os demais réus, por meio de sua atuação, tenham efetivamente afetado o trâmite da ação. Entretanto, a denúncia alega que o simples fato de terem solicitado dinheiro a pretexto de influir sobre os juízes atuantes em Boituva já corresponderia ao crime de exploração de prestígio, tipificado no artigo 357 do Código Penal. A pena para este crime, segundo o Ministério Público Federal em Santos, é de um a cinco anos de prisão, além de multa.

O empresário Walter Faria, Marcos Valério e  Rogério Tolentino foram denunciados por participação no crime de exploração de prestígio, por terem procurado pelos serviços ilícitos dos demais acusados no interesse da Cervejaria e oferecido pagamento pelo serviço. A conduta teria contribuído de maneira determinante para a prática do crime, de acordo com o Ministério Público.

Esta é a terceira denúncia do MPF na Operação Avalanche. O mesmo Ministério Público já havia denunciado Marcos Valério e mais dez pessoas de forjar um inquérito na Delegacia de Polícia Federal de Santos para espionar atividades de dois fiscais da Secretaria da Fazenda paulista.

A operação Avalanche começou em 2007 com o objetivo de investigar uma suposta apropriação indevida de dinheiro apreendido durante operação de fechamento de bingos, mas culminou com a descoberta de outros supostos crimes.

A suposta ação de Valério

De acordo com dados divulgados pela Polícia federal em 2008, Marcos Valério e seu sócio Rogério Tolentino integravam um grupo que tentava beneficiar a Cervejaria Petrópolis, instalada na cidade de Boituva, interior do Estado de São Paulo. 

A tática de Valério e Tolentino, segundo os agentes da Polícia Federal, era a de desmoralizar, por meio de ações de espionagem, fiscais da Receita Estadual, que haviam aplicado uma multa de R$ 104,5 milhões na cervejaria por sonegação fiscal.

Marcos Valério

O empresário Marcos Valério ficou conhecido pelo envolvimento no caso do "mensalão" em 2005. De acordo com denúncias do então deputado Roberto Jefferson, o empresário participava da distribuição de "mesadas" de R$ 30 mil a deputados de partidos da base aliada do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ele foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa por duas vezes, peculato por três vezes, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha.

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