O Ministério da Saúde vai investir nos próximos quatro anos cerca de R$ 25 milhões em pesquisas para desenvolver dois tipos de vacina contra o vírus HIV. O anúncio foi feito pelo ministro José Gomes Temporão na abertura do 1º Seminário Internacional de Vacina Anti-HIV.

As pesquisas, que já estão em andamento e são tocadas principalmente por universidades públicas estaduais, como a de Campinas (Unicamp) e a de São Paulo (USP), têm o objetivo de desenvolver uma vacina terapêutica e outra preventiva.

Outros órgãos governamentais como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ambos ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia, também devem fazer contribuições financeiras para o projeto.

Se a vacina terapêutica não curar completamente o paciente, pelo menos ela poderá contribuir para que ele passe longos períodos sem a necessidade de tratamento anti-retroviral. A vantagem nesse caso é evitar esses medicamentos, que causam muitos efeitos colaterais, como a lipodistrofia e problemas neurológicos, explica a assessora técnica do Ministério da Saúde, Cristina Possas.

Segundo Cristina, a vacina terapêutica é desenvolvida em várias fases, inclusive uma que passa pelo teste nas células do paciente. Já a vacina preventiva é desenvolvida em 3 fases (pré-clínica, clínica, e teste em voluntários). Nela, o Brasil está atualmente
na fase 2. "Nós ainda estamos numa fase experimental, de investimento em pesquisa", afirma. Segundo ela, na Tailândia, o tipo de vacina preventiva já está na fase de testes em voluntários.

Consórcios

Atualmente diversos consórcios de estudos, que envolvem cerca de 23 países, estão buscando vacinas anti-HIV. Esses consórcios, além dos investimentos de cada país, contam com financiamentos internacionais como o do National Institute of Health (NIH), do governo dos Estados Unidos. Estima-se que, ao todo, cerca de US$ 1 bilhão venha sendo investido em pesquisas de vacinas contra o HIV em todo o mundo.

AE

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