'Minha filha não é um monstro', diz mãe

Joana Croxato levou filha de 2 anos e meio ao STF. Segundo ela, médicos diziam que acrania evoluiria para anencefalia

Wilson Lima, iG Brasília |

Nem mesmo a dor de saber que sua filha teria pouco tempo de vida impediu Joana Croxato, de 29 anos, de interromper a gravidez de Vitória de Cristo, hoje com 2 anos e meio, que nasceu após o diagnóstico de anencefalia, segundo a mãe. A menina é a primeira e única filha do casal Joana e Marcelo Croxato.

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Wilson Lima/iG
Marcelo Croxato e Vitória de Cristo, na manhã desta quarta-feira, em Brasília
A gravidez foi planejada mas durante os exames pré-natais, Joana recebeu a pior notícia de sua vida. A pequena Vitória nasceria anencéfala. “Meu médico me disse que a gravidez era de risco. Eu prossegui. No final deu tudo certo. Não tive problema algum”, disse Joana.

Segundo um blog que os pais mantêm na internet, com doze semanas de gestação, foi descoberto que o bebê tinha um grave problema chamado acrania. Segundo médicos consultados, a acrania identificada evoluiria para uma anencefalia. Mas diferentemente do que foi previsto na gestação, Vitória não desenvolveu anencefalia total e houve tecido cerebral preservado que tem permitido que ela viva. Os pais afirmam que ela já recebeu diagnósticos diversos, desde anencefalia incompleta até encefalopatia crônica não-evolutiva.

Vitória nasceu de parto cesariano. “Quando ela nasceu foi muito emocionante. Eu me dei conta de que era uma criança, era um bebê. Não era um monstro. Uma criança com muita fragilidade mas que responde aos estímulos”, afirmou Joana. “Eu aconselho as mães que pensam em abortar que elas deveriam dar chance a essa criança. Saber o quanto ela é especial”, complementou.

Joana levou pequena Vitória para a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julga nesta quarta-feira (11) a legalidade do abordo de fetos anencéfalos . Ela é contra o aborto. O argumento: o homem não tem condições de julgar quando começa e quando termina a vida. “No pré-natal não há condições de saber qual será a reação da criança. O médico não toca a criança. Os exames por si só não indicam nada”, afirmou.

Ao levar a pequena Vitória ao STF, Joana diz querer sensibilizar os ministros de que uma vida não pode ser interrompida após o primeiro diagnóstico. “Quero mostrar que crianças como a Vitória não são um monstro”, disse. “O problema é que sempre mostram a parte ruim. Eu estou aqui mostrando que existe um outro lado”.

Mas ginecologistas e obstetras que estão no STF acompanhando o julgamento alertam que o caso da pequena Vitória de Cristo não é de anencefalia, mas de outra má-formação. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), o feto com anencefalia mantém sinais vitais apenas alguns minutos, ou em raros casos, horas após o parto. Não há qualquer possibilidade de sobrevivência ao parto. Sobre relatos de crianças que vivem por mais tempo, a entidade diz que não se trata de anencefalia. "Em geral, alguns relatos referem-se à encefalocele, à acrania ou a distúrbios graves, porém não incompatíveis com a vida. O objeto da ação foi apenas a anencefalia, uma má-formação inviável e incompatível com a vida. A imagem de um feto com anencefalia não deixa qualquer dúvida sobre a incompatibilidade com a vida extra-uterina", defende a CNTS.

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