Minc: recuperação de solo deve gerar crédito de carbono

O Brasil quer que a recuperação dos solos degradados seja trocada por Redução Certificada de Emissões (RCE), que são os certificados emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE). A proposta foi apresentada hoje pelo ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, durante discurso na Conferência das Partes (COP) sobre a luta contra a desertificação, realizada em Buenos Aires.

Agência Estado |

"Uma das principais propostas desta COP deveria ser mobilizar seus governos para que a recuperação dos solos com plantio direto seja computada como créditos de carbono", disse o ministro em discurso na reunião preparatória à Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, em Copenhague, em dezembro próximo.

"Uma das conclusões que a COP deveria ter para sair da indigência é mostrar que a recuperação dos solos é uma super alternativa de captura de carbono porque ao fazer isso está incluindo pessoas", argumentou. Ele detalha que o solo degradado libera carbono e aumenta o efeito estufa, mas ao ser recuperado, o processo é inverso. A proposta brasileira é de que uma parte do fundo a ser criado para programas de combate aos problemas gerados pelas mudanças globais de clima remunere a recuperação de áreas degradadas.

Neste sentido, o Brasil defende "que o valor do fundo não seja menor que US$ 400 bilhões, dos quais, um terço deste valor, cerca de US$ 150 bilhões, seja destinado aos programas, dentre os quais, a recuperação dos solos", explicou Minc para uma plateia que recebeu o discurso com aplausos. O ministro disse aos correspondentes brasileiros na Argentina que se reuniu com os colegas dos países sócios e associados do Mercosul, que "fecharam posição em torno da proposta do Brasil". Além disso, continuou, a receptividade dos demais países "foi muito boa".

Cooperação

O ministro também afirmou que o Brasil "tem um foco na África para estabelecer uma cooperação Sul-Sul", na qual o governo brasileiro pretende transferir tecnologia aos africanos. "Vamos oferecer capacitação no que diz respeito a monitoramento das áreas e na produção do etanol", detalhou.

Minc lembrou que a segunda oferta está condicionada a que os governos africanos interessados na ajuda técnica respeitem dois preceitos: "que a produção do etanol não entre em área de produção de alimentos, nem em área de proteção nativa". O ministro argumentou que estes dois compromissos já foram assumidos pelo Brasil. Também ressaltou que três países demonstraram interesse na cooperação: Moçambique, Burkina Faso e Quênia.

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